terça-feira, 29 de outubro de 2024

Inquietudes Modernas

 Inquietudes Modernas

Trago hoje uma reflexão que diz respeito ao futuro, sim, do futuro! Não é de hoje que parece que sinto se aproximar um colapso apocalíptico dos sistemas eletrônicos, um caos estabelecido, refletindo na escassez de água e de alimentos. Um tempo onde fundamentalistas e fanáticos irão perseguir e invadir as casas e aprisionar outrens por pensar, externar ou escrever o que pensam... talvez seja isso uma paranoia, mas também pode ser uma premonição psicodélica bem ao estilo “Mad Max”, pode ser... também acho e quero acreditar de que isso seja pura ficção ou devaneios! Tomara!

Ah! Fiquemos tranquilos! Não há o que temer! Nunca teremos isso! Nunca! Podemos nos tranquilizar mesmo! Até porque não há poluição suficiente, a natureza está a pleno e tudo está funcionando muito bem, as tecnologias cada vez mais desenvolvidas e nem somos tão dependentes delas. No nosso tempo não há a mistura de crenças com ideologias, portanto, não estamos criando ou desenvolvendo pessoas com inclinação aos fundamentalismos.

Afirmo que tudo isso deve ser maluquice da cabeça de quem está aflito, inquieto e agoniado com tudo o que acontece e alarmado, angustiado, se torna uma pessoa ansiosa demais e tensa com o mundo como está hoje, logo, prospecta nos detalhes que enxerga e percebe. Há números preocupantes e espantosos de violência, de crimes, de intoxicações, de poluições, no mar de plásticos, nas manobras das grandes elites e das classes dominantes, etc, etc...

Posso lhes garantir de que este estigma é para aqueles que se preocupam demais com o porvir, destes que sofrem por antecipação do póstero sofrer. Esta característica, talvez ainda não tenha uma patologia definida, mas sei de muitos hoje em dia, que já estão acometidos com esta perturbação. Será que dá para chamar de perturbação? Acho que a melhor definição é uma positiva preocupação.

Encerro por aqui, senão irão dizer que estou maluco, que endoideci por completo, mas na verdade vos digo, tenho um pouco de receio da futuridade da humanidade, pois percebo muitos sinais em que meus contemporâneos estão se prostrando, prezando por situações decadentes, simplesmente por não aceitar que há diferenças salutares em ter pontos de vista e convicções diferentes das suas. Você consegue perceber a linha tênue disso?

Se sim, bem vindo ao alucinogênico mundo dos desassossegados!

Por Ramão Carvalho.

Matéria do Jornal Noticiário de 29/10/2024.

quarta-feira, 5 de junho de 2024

Melhor e Pior


 Este tempo está revelando o melhor e o pior das pessoas!

👍 O MELHOR: O meu muitíssimo obrigado para tod@s que se prontificaram em ajudar aos desabrigados! Não há palavras que se possa expressar para agradecer por tudo que fizeram! Gratidão eterna! Rogo para que sejam elevados ao alto grau de luz!
👎 O PIOR: Aos que não fizeram nada e que, se esta enchente trágica que acometeu nossos irmãos ao caos, que fez com que perdessem seus pertences, suas memórias e seus refúgios não te tocou a ponto de ajudar o mínimo possível, reveja e repense seus valores! @destacar

sexta-feira, 24 de maio de 2024

AMOR pra recomeçar

Amor pra recomeçar...

@rte_RamãoCarvalho. Crédito das imagens: Thales Renato Ferreira

Estas parcas palavras são destinadas para todas as pessoas que foram lavadas pelas aguas das enchentes de maio de 2024. Sei que são pretensas, porém necessárias. Quero que saibam que me solidarizo a todos e a todas que tiveram seus lares devastados e que terão que recomeçar tudo, muitos do zero absoluto, outros, reaproveitando, lavando, secando e reformando o que a umidade da agua não danificou totalmente.

Sabemos que estes eventos climáticos são frutos da degradação da natureza e do ambiente pelo “capitalismo selvagem” através das severas técnicas da agricultura, pelas ‘plantations’ que, a qualquer custo, pesteiam o solo com agrotóxicos que contaminam não só os alimentos que ingerimos, causando cânceres e todo o tipo de doenças, mas também o solo e a atmosfera, que está desequilibrada e gerando esta grande concentração de chuvas e cheias sobre nós.

Acometidos, peço a você que seja fortaleza!  Seja resiliência! Seja e tenha força interior para que a cada objeto juntado, removido e destinado, exercite a superação e a pronta reabilitação. Sim, reabilitação! ...uma retomada dos seus pertences e um retorno gradual e uma regeneração para recuperar tudo o que foi perdido, inclusive o brio e o amor-próprio, tão necessários para motivar o recomeço.

Nunca diga: “perdi tudo”, pois de verdade, perdeste teus bens materiais e objetos que, por mais carinho que tinhas por tudo, poderá recuperar e, ainda tem as pessoas de e em seu convívio e o mais importante, estás vivo e com saúde para retomar tudo o que já havia conquistado e melhorar ainda mais em todos os sentidos.

Após este amargo período, todos nós sairemos muito modificados, pois fomos tocados por uma tragédia e jamais esqueceremos todos os transtornos e tudo que causou estes dias de chuvas, cheias e enchente, molhando e emergindo nossas casas, submersas por mais de vinte dias. Vamos lembrar muito de tudo isso, talvez por toda a vida, a cada chuva, a cada mudança de estação climática.

Para vencer e perpassar este período, precisamos nos reinventar e tirar as forças de dentro do coração e assimilar as lições desta conta dolorosa que a natureza está nos cobrando. Vamos aprender a não nos cobrar tanto, a não perder o sono pelos projetos ainda não realizados, pela casa não completamente arrumada, pelas contas e boletos a ser pagos, ser mais amado, amar mais e como diz aquela canção do Frejat, que tenhamos amor o suficiente pra RECOMEÇAR! 

Por Ramão Carvalho

Enchentes de maio de 2024.
São Leopoldo / Rio Grande do Sul / Brasil.

quarta-feira, 20 de março de 2024

SURREAL

 É SURREAL!!!

Estamos vivendo em um tempo surreal e não é exagero meu! A hipocrisia, a mesquinharia, o narcisismo, a falta de consciência e o desrespeito para com o próximo, tem tomado conta da humanidade nestes tempos em que vivemos. Quando achei que isso era uma “dádiva” apenas dos brasileiros “guaipecas” e “vira-latas”, vem os hermanos argentinos e nos mostram que o ‘vírus surreal’ atravessou as fronteiras.

O que dizer dos gays conservadores de direita? Outro dia encontrei no aplicativo “X” um grupo chamado “gays conservadores do Brasil” e “gays com b*olsonaro” e pasmem! O referido substantivo que contém o “*” é o mesmo que desqualifica e ridiculariza a todos os homossexuais e também a toda a sigla LGBTQIAPN+, e, mesmo assim, tem milhares de seguidores e defensores de suas ideias, o que provavelmente pode ser explicado por estarem sofrendo por rejeitar sua natureza ou acometidos do mal e da síndrome de Estocolmo, só pode!

O conservadorismo, tão em voga na periferia, nos remete aos grandes problemas gerados pela ausência da consciência de classe, por exemplo, e me pergunto, sinceramente, será que estas pessoas humildes e pobres querem “conservar” sua pobreza, a exploração que lhe é imposta por seus algozes, ricos exploradores que, de fato não geram riquezas.  Assim o ciclo recorre, tendo nas elites a detenção dos bens e do poder e as defendem com punhos de ferro, de muito tempo, desde que o Brasil passou a ser posse dos europeus.

Outro exemplo que me espantou bastante, foi no discurso e nas manifestações de uma senhora que defende ferrenhamente o militarismo e a “tradicional família de bem”, esta pessoa que se declara patriota e repete, compartilha e se fervorece do jargão: “Deus, Pátria e Família” em suas redes sociais, e inacreditavelmente, esta senhora é uma cafetina que alicia meninas para os “pais de boa e tradicional família” ou a quem tiver dinheiro. 

Este é um recorte amostral do que estamos convivendo, uma parcela da sociedade está caótica, esta mesma porção que alega estar no “caminho certo”, mas que caminho é este? Quem são estes que, aos berros, estimulam o adoecimento da sociabilidade dos seres, desmotivando a ciência, duvidando das conquistas sociais até aqui, instigando a violência e o preconceito, comprometendo a coletividade fraterna e respeitosa. 

Peço escusas por tantas informações em um curto texto, mas lhes digo, me faltam palavras para ilustrar e quantificar tantos problemas psicológicos do nosso povo, configurando uma realidade surreal a que estamos vivenciando. A onda conservadora e moralista, está arrastando muitas almas vazias para o colapso e vem captando e arregimentando todos que não tem consciência de sua posição na sociedade, quiçá no mundo.

Lutemos! A saída é e será pela educação e pela cultura, estas serão as luzes que iluminarão as trevas da ignorância, da inconsciência e da intolerância, que muitas vezes são geradas por problemas formativos e afetivos de uma parcela da população que, desguarnecida e antipáticas aos valores comunitários, ignoram também a grandeza do poder científico, artístico, educacional, vetores que podem elevar e formar o verdadeiro caráter benevolente das pessoas. Seguimos resistindo com fé em dias melhores!


CARVALHO, Ramão E.D. de. É SURREAL! Matéria para o Jornal Noticiário em fevereiro de 2024. Edição 298. Página 11.

terça-feira, 20 de fevereiro de 2024

FUNDAMENTALISMOS

FUNDAMENTALISMOS


Este tempo que vivemos está marcado por expressões e manifestações fundamentalistas e que, mesmo vivendo em um país plural e miscigenado, ainda há os que insistem no anseio de tentar padronizar o credo, a ideologia e tudo mais que lhes representa. Felizmente estes seres estão fadados ao fracasso, graças a tudo que é sagrado!

O fundamentalismo se caracteriza pela tendência, de certos grupos e indivíduos que, munidos da sua “verdade absoluta”, se caracterizam e se inflamam pela aplicação de uma interpretação reta e literal estrita às suas escrituras, seus dogmas ou as suas ideologias, juntamente com uma forte crença de dar muita importância em distinguir o grupo ou os indivíduos diferentes, afirmando que estes “diferentes” estão errados e devem ser punidos.

Muitas das vezes, esta punição é em relação e ligados a crença e que, estes opressivos, denotam e profetizam que seus desiguais serão repreendidos e castigados por divindade religiosa. Estes episódios se demonstram, muitas das vezes, em espaço público, onde alguns vários representantes políticos rezam e oram antes ou durante os seus serviços públicos. Podemos ver artistas e influenciadores (particularmente odeio este termo), que se manifestam em detrimento aos que não professam sua fé, ou que não possuem a sua natureza padronizante heterossexual, e que estes, devem ser perseguidos, surrados ou ainda “curados”. Nestes casos, os fundamentalistas estão ligados ao racismo, ao preconceito, a intolerância religiosa e muitos outros crimes humanitários.

Há indícios manifestados que podem ser pequenos, mas não são! Quando um fundamentalista, do seu ponto de vista da razão, opta por reproduzir culturas afro-brasileiras e trocam ou alteram a letra e termos das músicas, por exemplo, por se tratar de alguma divindade do outro credo. Penso que se há esta restrição em suas culturas e religiões, porque raios querem fazer uma versão destas canções?

Fundamentalistas são nocivos e não se reconhecem como tal e todo fundamentalismo faz mal, agride, produz violência, incentiva a perpetuação do preconceito e distancia a humanidade da evolução e do convívio fraterno.

CARVALHO, Ramão E.D. de. Pautas Polêmicas. Matéria para o Jornal Noticiário em fevereiro de 2024. Edição 297. Página 11.

quarta-feira, 24 de janeiro de 2024

Pautas Sociais

Pautas polêmicas?

Polêmicas são discussões ou demandas que contém contestações, pendências ou controvérsias, contradições de ideias, envolvendo itens que geram debates dicotômicos de diferentes pontos de vistas. Estamos cercados de pautas polêmicas. Mas, seriam todas elas polêmicas?

Considero aqui as pautas polêmicas, aquelas que descontentam ou contradizem as convicções de alguns e que, muitas das vezes ou quase sempre, desferem ou articulam discussões rasas sobre temas tão complexos da civilidade humana, e que também, são tratados e articulados por pessoas que não possuem domínios técnicos para tal.

Considero também, em minha singela opinião, de que o povo brasileiro ainda não tem maturidade para tratar de pautas tão essenciais e que melhorariam muito a vida do povo como por exemplo a reforma agrária e a racionalização dos direitos fundiários, a descriminalização de drogas medicinais, do aborto em casos excepcionais, enfim, o debate, muitas vezes, toma formatos e composições deformadas, ideológicas e irracionais.

Digo isso pois percebemos “barbaridades” ditas e escritas sobre as cotas de reparação, por exemplo, que quase sempre terminam em racismo escrachado por pessoas que ao menos sabem ou vivem o que o ‘outro’ vive no dia-a-dia. Assim como as discussões superficiais sobre os direitos sociais dos LGBTQIAPN+, das mulheres e assim como os direitos constitucionais que nossa população tem como o da moradia, por exemplo seguem, causando polêmicas.

Ainda há, em pleno ano de 2024, casos torpes de intolerância religiosa! Esta sim é uma polêmica desrespeitosa e estúpida! Não há o que ser discutido acerca deste tema, não existem compêndios que elaborem ou embasem especificações para o credo de cada ser, o que existe de solução para este tema é o RESPEITO em “caixa alta” e com todas as letras.

São consideradas polêmicas, pois são pautas que ainda não são vencidas, mas que configuram interesses e conflitos com a posição política e suas convicções religiosas, ferindo o princípio da coletividade onde, em favorecimento ao posicionamento dos interesses de alguns, torna inatingível a solução de muitos temas que poderiam ser bem conduzidos para o bem da Nação.

Mas não nos iludamos, isso não se tratam de simples polêmicas e sim lapsos da alma, miasmas doentios da psiquê de alguns e de algumas que se prendem a idiotices e defeitos repassados de geração em geração. Estas ‘polêmicas’ precisam ser resolvidas para tirar nosso país do atraso social, se desprender dos problemas elementares e alavancar o desenvolvimento técnico e tecnológico de uma gente ordeira e colorida e entender que esta é a glória do país mais plural do mundo! Avante Breasil!

CARVALHO, Ramão E.D. de. Pautas Polêmicas. Matéria para o Jornal Noticiário em Janeiro de 2024. Edição 296. Página 15.



sábado, 2 de setembro de 2023

Representatividade leopoldense

 AFINAL, QUAIS SÃO OS NOSSOS SÍMBOLOS?

Motivado e instigado pelas movimentações em torno do bicentenário da imigração alemã em São Leopoldo, ponho-me a pensar: “-Seriam os imigrantes germânicos os fundadores da nossa cidade?” E por que trago esta indagação? Pois percebo que é do senso comum, as manifestações das mais variadas fontes, tratar e referir-se ao aniversário desta urbe no dia vinte e cinco de julho.

Penso que há um grande equívoco e que devemos aproveitar o ensejo para reparar, e, principalmente pensar em uma solução ao tempo que estamos vivenciando. Penso também que podemos aproveitar todo este aparato festivo preparatório em se tratando das comemorações que servirão para lembrar da chegada desta importante parcela étnica no Brasil e em especial na vinda para a nossa cidade. A seguir, traço algumas ilustrações que vão dar embasamento ao que transcorro aqui, como por exemplo, para além do senso comum já citado, há as representações formalizadas que trazem significados representativos importantes.

Para uma maior compreensão desta crítica opinativa, recorro a Sigmund Freud (1913) em sua análise representativa para a sociedade através dos totens e mitos e trago aqui alguns símbolos oficialmente reconhecidos na Cidade de São Leopoldo. Assim, saliento algumas das especificações simbólicas que são confessas e declaradas oficialmente e que servirão para elucidar algumas afirmações de que existe uma hegemonia da cultura alemã em detrimento às demais culturas da/na cidade.

Podemos começar pelos símbolos e heráldica oficiais aqui extraído do texto que descreve o brasão oficial, que foi gestado e está incrustados de simbologias germânicas, descrito e contido no site da Câmara Municipal de Vereadores, onde em 22/06/1962, o então prefeito de São Leopoldo, Siegbert Saft, sancionou a seguinte lei:

Art. 1º - O Brasão Municipal, criado pela Lei nº 276, de 19 de maio de 1951, representativo do simbolismo do Município, com a configuração do modelo anexo, integrante desta Lei, passa a ter a seguinte característica e definição: [...] "Escudo clássico partido em contrabanda pelo Rio dos Sinos, artéria inicial do povoamento e riqueza da região do atual São Leopoldo, em campo de sinople (verde); em chefe, em campo de gole (vermelho), das armas do Visconde de São Leopoldo, fundador da atual cidade, um leão rompante, de ouro, sustentando um pinheiro de sua cor; em ponta, em campo blau (azul), o monumento ao imigrante, inaugurado em 1924, em prata, Coroa mural, de prata, de quatro torres. O todo ladeado por ramos de acanto em ouro, gole e blau".

Recorremos também a outro símbolo, o Hino da Cidade de São Leopoldo, intitulado “A marcha do Imigrante”, também discorre tão somente sobre a colonização alemã, desprezando todas as outras etnias, peça esta que Câmara Municipal de São Leopoldo reconheceu por Lei Municipal de n.º 4.257, de 26/06/1996, como segue:

[...] LEI MUNICIPAL Nº 4.257, DE 26/06/1996 [...] Institui "A MARCHA DO IMIGRANTE" como sendo o Hino Oficial do Município de São Leopoldo.[...] Faço saber que a Câmara Municipal aprovou e eu sanciono e promulgo a seguinte Lei:Art. 1º - Fica instituída a letra e a música de "A MARCHA DO IMIGRANTE" como sendo o Hino Oficial do Município de São Leopoldo. [...] Art. 2º - Torna-se obrigatório o ensino e a execução do hino "A MARCHA DO IMIGRANTE" nas escolas da rede municipal de ensino de São Leopoldo [...] Art. 3º - Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação, revogadas as disposições em contrário. [...] Prefeitura Municipal de São Leopoldo, 26 de junho de 1996.

Ainda sobre as caracterizações oficiais da cidade, a frase ‘slogan’, termo que deveria servir para caracterizar a todos de forma sintética e identificar a principal definição do lugar, contém a expressão: “São Leopoldo, berço da colonização alemã” e é outra peça que está declarada e materializada nas documentações oficiais e nos mais diversos lugares e usos da localidade.

Seguindo na busca pelas construções imagéticas equivocantes das peças representativas, encontramos no site mais popular da internet, informações da cidade e onde está lá declarado, na aba das informações técnicas, no campo “História” a fundação: 25 de Julho de 1824, onde:

[...] A data de 25 de julho de 1824 passou a ser considerada a data de fundação de São Leopoldo. Instalados na feitoria até que recebessem seus lotes coloniais, este núcleo foi batizado "Colônia Alemã de São Leopoldo" em homenagem à Imperatriz Leopoldina, a esposa austríaca de Dom Pedro I. Nesta época, era então governador do estado o Visconde de São Leopoldo. Fonte: https://pt.wikipedia.org/wiki/São_Leopoldo

Percebam que há um esquecimento ou ainda um apagamento, talvez proposital, das demais etnias que formaram o povo leopoldense. Não há nenhuma citação aos bravos carijós, aos desbravadores lusitanos ou ainda aos trabalhadores africanos que já estavam por aqui quando os alemães chegaram. Não há uma estrofe, nenhum slogam, nenhum brasão ou qualquer outra menção a que estes descendentes miscigenados possam se sentir representados. Assim, necessário se faz uma análise reflexiva na busca por reparação e retratação. O que acham?

Texto de Ramão Carvalho, Professor de História e Ativista Cultural para a Coluna JORNAL NOTICIÁRIO JN - Agosto/2023 - Ed. 291 - Pág. 11 COLUNISTAS.
https://www.facebook.com/photo?fbid=998774128687421&set=a.718561290042041 

segunda-feira, 27 de março de 2023

Prelúdios de 2024


Prelúdios de 2024

O assunto em voga é referente aos duzentos anos ou o bicentenário de São Leopoldo em 2024, aliás, não é para qualquer cidade completar este feito, ainda mais numa constante e próspera trajetória histórica, de tantos fatos narrados, outros tantos ainda para ser descobertos ou reescritos, todos muito importantes e preponderantes para compreendermos a construção das características locais do gentílico capilé e que colaboraram por demais para a identidade da região do Vale do Rio dos Sinos e porque não dizer, do próprio Estado do Rio Grande do Sul.

Vale salientar que, nesta atmosfera preparatória às comemorações dos dois séculos de chegada dos imigrantes, sempre é bom evidenciar de que nem tudo foram flores e não há um romantismo perfeito e harmonioso na história humana. Além disso, a história da cidade não pode se resumir a apenas ou a partir de 1824. O Professor Doutor Martin Norberto Dreher nos ensina que, muito antes dos primeiros 39 imigrantes desembarcarem por aqui, outras tantas iniciativas ocorreram pelo país afora, principalmente com os imigrados germânicos, prefiro me referir assim, uma vez que a Alemanha propriamente dita, ou seja, como uma pátria unificada, viria a ocorrer somente após 1871.

Hoje, para os desavisados que se deparar com os símbolos oficiais citadinos, o hino, a heráldica e o slogan, que estão deveras associados com a germania, negligenciam, por exemplo, a presença dos originários carijós, onde, mais tarde chegaram os açorianos portugueses, que por sua vez trouxeram para a Real Feitoria do Linho Cânhamo os escravizados africanos para fabricar cordas náuticas e também aos demais povos e etnias que por aqui chegaram. Quem só ouve o hino ou se depara com a inscrição “o berço da colonização alemã”, vai pensar que tudo teve origem em 1824 quando desembarcaram os imigrados germânicos, tornando a cidade habitada a partir de então. E não foi assim!

O Governo municipal instituiu através do Decreto nº 9.974, de 26 de outubro de 2021, a criação do Comitê do Bicentenário com a participação de muitas representações e de diversas entidades, buscando contemplar a diversidade plural para acompanhar, construir e para refletir também sobre as comemorações dos duzentos anos, o que, em minha singela opinião, foi uma decisão competente, acertada e representativa, uma vez que muitos detalhes desta história possam ainda ser descobertos, contados e revisitados, gerando uma interpretação construtiva e que represente a todos.

Uma das iniciativas destas ações de contar, enaltecer e disseminar as comemorações da chegada dos imigrantes alemães em São Leopoldo será contada em verso e rima, literatura, música e samba, nas fantasias, nas esculturas, coreografias e adereços da Escola de Samba Império do Sol. Esta corrida cultural que abrange a comunidade como um todo é um rico e potente instrumento para alcançar a todas as pessoas que tem envolvimento com as manifestações de cunho cultural e popular. O enredo, por exemplo, é uma pesquisa literária realizada pelos componentes da escola de samba que, a cada ano, desencadeia a produção do grande espetáculo em forma de dramatização, musical, nas artes plásticas e em múltiplas e infinitas manifestações como seminários, debates, mostras e muito mais.

São Leopoldo Fest com Escola de Samba e Acarajé!

Este conhecimento é disseminado e disponibilizado nos mais diversos locais e para todos os cidadãos que, muitas vezes, residentes nesta cidade que, mesmo sendo inclusiva, não tem ou não acessam os equipamentos culturais como o teatro, a dança, a música e literatura, por exemplo, obtendo na escola de samba um espaço mais amistoso e democrático, com excelentes oportunidades de ligar estas partes, popularizando a história da cidade e, juntando através da recreação cultural, peças de reprodução de saberes artísticos, educacionais, educativos e instrutivos. Desta forma, a população em geral desde a mais versada até a mais simples, vai se divertir, conhecer, produzir e construir juntos a história de nossa cidade através do carnaval.

Fontes

GRÜTZMANN, Imgart; DREHER, Martin Norberto; FELDENS, Jorge Augusto. Imigração Alemã no Rio Grande do Sul - recortes, Okos Editora, Unisinos, 2008.

Texto de Ramão Carvalho, Professor de História e Ativista Cultural para a Coluna JORNAL NOTICIÁRIO JN - Setembro/2021 - Ed. 271 - Pág. 08 COLUNISTAS.

quinta-feira, 15 de dezembro de 2022

o fim de uma era

O fim de uma era!?

O mês de dezembro está aí, e junto dele a sensação de que o ano já está se findando e, junto desta sensação, vem aquele sentimento de reflexão, de ponderar tudo o que aconteceu e também de lembrar das mais diversas situações e por tudo o que passamos, perpassando por outras recordações não só do ano que está por acabar, mas de um balanço de tudo o que vem ocorrendo.

Com isso, surgem muitas lembranças, de muitas situações vividas e experenciadas neste ciclo caracterizado pela volta do planeta esférico em torno do incandescente Sol. Um tempo complexo e difícil de definir em poucas palavras, porém, verificado e marcado por muitas situações dicotômicas, onde predominaram aquelas situações depreciativas e caóticas do ponto de vista humano. Chego numa constatação desconfortável e contundente: de que é o fim de uma era! Assim, nunca mais teremos o mundo em que vivíamos!

As festas de final de ano nunca mais serão as mesmas! Aquele tempo em que desejávamos um ‘Feliz Natal’ e ‘Boas Festas’ para todos que encontrávamos por onde quer que íamos nesta época acabou!!! Sabe por quê? Porque hoje em dia não sabemos ao certo quem é o outro, se é o racista, ou é aquele que não aceita o pobre ascender, ou se é aquele que não tolera a minha ou a tua religião, que pratica ou não se sensibiliza com a violência praticada contra as mulheres, que xinga e ofende aos LGBTQIAP+, que clama, não se sabe porque, por regimes autoritários, entre tantas outras estapafúrdias inexplicáveis...

São tempos difíceis e peço desculpas pela dureza e pelo embrutecimento dos meus sentimentos. Rogo graças à Oxalá, agradecendo que no meu núcleo de amigos, colegas e na maioria dos meus parentes, as pessoas comungam com minhas convicções de comunidade, de convívio salutar e amistoso com todos, todas e todxs... Porém não basta constatar e conviver com esta situação, mas sim, seguir defendendo e praticando a tolerância para a compreensão de que nosso país é plural e miscigenado, ou seja, uma completa mistura de culturas e etnias.

Para este Brasil dar certo, devemos seguir fazendo, cada uma a sua parte, seguir multiplicando o amor, a paz, a fraternidade, a educação e a cultura para vencer as anomalias da alma que estão intensificando e contaminando o sentimento dos seres intolerantes da atualidade. Tenho convicção e certeza de que neutralizaremos estas barbaridades, sendo disseminadores de um país mais complacente e benevolente, legando no exemplo para as novas gerações, podendo voltar a ser um país empático e retomando o carisma costumeiro da época das festas... Para voltar a amar as pessoas como se não houvesse amanhã, resistir é preciso!

Por Ramão Carvalho.

Fonte: 2022-12-15 – CARVALHO, Ramão. O fim de uma era!?. Matéria da coluna Jornal Noticiário. Página 11. São Leopoldo/RS. Edição 284, agosto/2022

quarta-feira, 24 de agosto de 2022

A Pátria amada de todos nós!

À Pátria amada de todos nós!

    Vamos dar um salve ao sete de setembro e para a celebração do dia da independência! Aos patriotas e nacionalistas de nosso país, que conservam o orgulho estupefado de nossa Nação Plural, este é o tempo de comemorar a Independência da Nação brasiliana. A data é marcada pela emancipação política da metrópole Portugal. A reflexão a ser feita, é de que devemos e deveríamos comemorar esta data com alegria e felicidade. Esta data deveria ser marcada pela independização do Brasil em relação à colonizadora nação imperial lusitana, porém sabe-se que não foi um processo simples e diversos problemas se seguiram… porém, a ideia aqui é tratar do nosso civilismo pátrio.

    Sempre é tempo de exaltação, de honrar a pátria mãe, o teto imaginário de paredes fronteiriças sólidas e reconhecidas, as quais nos unem e nos identificam, lugar construído sobre os pilares étnicos e culturais dos mais diversos povos. Para um verdadeiro ufanista, necessário se faz reconhecer e ter orgulho, desde os nossos ancestrais indígenas, dos ancestrais europeus imigrantes colonizadores e dos ancestrais negros africanos, que vieram a contragosto para cá, mas que foram importantes para a construção da riqueza desta terra. 

    Todos os civistas devem ou deveriam ter este sentimento, de brio e de altivez plena à sua Pátria, de suas cores, de suas origens e de suas múltiplas características, e amplio, aconselhando que cada um, a sua maneira, deveria buscar saber de como se formou, das suas configurações, de sua História minimamente, para se envaidecer muito e contar aos seus compatriotas ou aos estrangeiros, de como ela é, das suas belezas, de suas potências e também de suas deficiências… reconhecê-las e viabilizar as múltiplas possibilidades de melhorias, para manter e ampliar a sua liberdade e independência.

    Penso que, para um verdadeiro cidadão, necessário se faz empenhar-se e colaborar para que melhore, cresça e se desenvolva sempre, mas sem perder sua essência, que afinal, aqui é um lugar onde vive um povo diversificado, feliz e hospitaleiro, talvez o único do mundo onde seu adjetivo pátrio rima com trabalho, sejamos nós tarefeiros, sendo oleiros, carpinteiros, pedreiros, ferreiros… etc.. etc.. etc.. os oficineiros brasileiros… trabalhando firmes no propósito da ordem, do progresso e do amor, honrando desde àqueles que extraíram a madeira vermelha, incandescente e carmesim, chamada de “breazail”, ou o pau de fogo em brasa, logo abrasileirado para Brasil.

https://osmunicipiosemacao.com.br/pau-brasil-muitos-ja-ouviram-a-historia-mas-nunca-viram-o-quanto-e-bonito/

    A pauta aqui é a devoção ao berço nacional e deve estar acima de qualquer prelúdio de saudação, mesura e reverência às outras nações, apesar de todo o respeito e admiração que exista, nunca, jamais deve ser sobrepujado ou desmerecido o nosso sagrado pavilhão verde-amarelo, branco e azul-anil que a todos representa. Com o sentimento nacionalista a pleno, penso que conhecer e amar o seu lugar, com todas as suas peculiaridades e particularidades, respeitando as diferenças de uma plaga larga e continental, ostentosa gleba amada de todos nós, o legítimo e estimado patriotismo! Parabéns para TODA a Nação Brasileira!

Imagem: A Bandeira do Brasil https://www.gov.br/planalto/pt-br/conheca-a-presidencia/acervo/simbolos-nacionais/bandeira/bandeiragrande.jpg

Texto de Ramão Carvalho, Professor de História e Ativista Cultural para a Coluna JORNAL NOTICIÁRIO JN - Setembro/2021 - Ed. 271 - Pág. 08 COLUNISTAS.