Inquietudes Modernas
Ah! Fiquemos tranquilos! Não há o que temer! Nunca teremos isso! Nunca! Podemos nos tranquilizar mesmo! Até porque não há poluição suficiente, a natureza está a pleno e tudo está funcionando muito bem, as tecnologias cada vez mais desenvolvidas e nem somos tão dependentes delas. No nosso tempo não há a mistura de crenças com ideologias, portanto, não estamos criando ou desenvolvendo pessoas com inclinação aos fundamentalismos.
Afirmo que tudo isso deve ser maluquice da cabeça de quem está aflito, inquieto e agoniado com tudo o que acontece e alarmado, angustiado, se torna uma pessoa ansiosa demais e tensa com o mundo como está hoje, logo, prospecta nos detalhes que enxerga e percebe. Há números preocupantes e espantosos de violência, de crimes, de intoxicações, de poluições, no mar de plásticos, nas manobras das grandes elites e das classes dominantes, etc, etc...
Posso lhes garantir de que este estigma é para aqueles que se preocupam demais com o porvir, destes que sofrem por antecipação do póstero sofrer. Esta característica, talvez ainda não tenha uma patologia definida, mas sei de muitos hoje em dia, que já estão acometidos com esta perturbação. Será que dá para chamar de perturbação? Acho que a melhor definição é uma positiva preocupação.
Encerro por aqui, senão irão dizer que estou maluco, que endoideci por completo, mas na verdade vos digo, tenho um pouco de receio da futuridade da humanidade, pois percebo muitos sinais em que meus contemporâneos estão se prostrando, prezando por situações decadentes, simplesmente por não aceitar que há diferenças salutares em ter pontos de vista e convicções diferentes das suas. Você consegue perceber a linha tênue disso?
Se sim, bem vindo ao alucinogênico mundo dos desassossegados!
Por Ramão Carvalho.
Matéria do Jornal Noticiário de 29/10/2024.
