terça-feira, 30 de janeiro de 2018

Estamos enfraquecidos




Estamos enfraquecidos... e de quem é a culpa? É NOSSA!!!

Sim! Uma pesada e doída exclamação! A culpa é sim; toda nossa! Relfexões!

Tenho sido um tanto ácido ultimamente em meus textos, sei disso... mas é tudo o que tenho percebido e sentido nestes tempos difíceis... Logo tenho que fazer uma pequena defesa antes de prosseguir... As coisas estão fora de controle mesmo, e verificamos isso dia a dia, ano a ano, nossas dificuldades tem aumentado de forma exponencial... e potencializa os problemas, e aumenta o drama social o qual estamos vivemos...

Mas porque tudo isso acontece? Acredito que isso acontece e continua acontecendo, pois vem de encontro com a maldição deste país que tem na corrupção uma herança detestável, vinda desde os primórdios da colonização, de um povo que na imensa maioria gosta de “se aproveitar” de tudo e de todos... enfim, de uma série de problemas sociais ligados aos vícios e do descaso que temos como a vida pública e com a saúde social de nosso povo. Há também, associado a tudo isso aquela síndrome de que ‘tudo o que é de brasileiro não presta!’

Estamos cada vez mais discriminados, mais suscetíveis às humilhações e ao descaso, pois deixamos que um sistema intolerante deprecie a nossa cultura popular por exemplo. Um sistema que tem aumentado a modinha da “padronização dos costumes”, que busca um ‘endireitamento’ utópico e a “fórceps”, com uma receita calcada em política+religião, com um vertiginoso crescimento de lideranças religiosas e fundamentalistas, e que, enxergam o mundo segundo os seus dogmas. Um sistema que a cada dia que passa, supervaloriza e importa tudo o “que vem de fora”, e tudo o que é “dos states”, ou seja lá de onde, desde que seja melhor, mais “da hora” ...menosprezando o que é daqui, o que realmente é a genuína cultura brasileira... uma tristeza!

Não quero entrar numa paranoia, de que há uma conspiração arquitetada, mas fico pensando... será que há um plano maior sendo direcionado, que ao longo dos anos e décadas vem deturpando os costumes dos que não são “o oficial da nação” e dividindo a nossa gente, tal qual fizeram aqueles homens com os africanos nos navios negreiros, onde os grupos étnicos de mesma língua e de parentesco eram divididos para que não se rebelassem, para evitar que se unissem contra seus algozes escravagistas...

Hoje em dia, permitam-me fazer uma metáfora... falamos muito em matriz e raiz africana, por exemplo... ao se referir, muitas vezes, orgulhosos da base ou das origens de nossos costumes. Verifico que esta matriz ou raiz gerou um caule robusto, se misturou no malungo, resistiu e cresceu frondoso com a força e a fé e, porque não dizer; com a fibra e a coragem de nossos antepassados? Acontece que vieram as tais ‘modernidades’, e o troco foi se ramificando em diversos galhos... estes galhos foram perdendo algumas de suas propriedades, se modificaram e incorporaram outros costumes, outros saberes... e estes galhos ficaram cada vez mais longe do tronco e mais longe da raiz...

A este frondoso e espesso tronco, humildemente nossos velhos mantiveram, muitas vezes abaixo de muita chibatada, todo o arcabouço cultural, guardando detalhes tradicionais, a base da complexa força dos Orixás, dos movimentos da dança-ritmo-luta da capoeira, dos muitos sons, diversos toques, dos temperos, dos segredos, das folas e das ervas, da catimba, das mandingas, de sua gênese, de lendas, de mitos que explicam o mundo e de tudo mais... conviviam neste cinturão a religião, a capoeira, a culinária, o semba, o jongo, as vestes e noções do vestuário, de costumes e todos os sabores, os cheiros e os ritmos dos mais diversos, e no tronco da tradição, todos eram guardados e, mesmo sendo “pluri”, eram considerados como “uno”, pois estavam sob a mesma égide, ou ainda, sob o mesmo céu-òrun, guardados sob o alá sagrado da proteção divina.

Passado o tempo, as novas gerações experimentaram novas concepções, o homem branco europeu e o sistema estabelecido ofereciam coisas novas, ritmos novos, havia a possibilidade e a aproximação de novos saberes, e, a apropriação de novas culturas, foram transformando o que era tradicional. Assim, sem perceber que deglutiam o ódio e a intolerância, nossos irmãos foram se alimentando destes “novos costumes”; esquecendo, ou mesclando o passado ancestral...

Desta forma, metaforicamente foram se separando os galhos do tradicional tronco. Cada galho cresceu em separado, cada qual com uma daquelas propriedades, que antes eram o todo, o todo que resistia, que era fortalecido pela sabedoria dos velhos antepassados... Cada galho foi se auto afirmando, se desenvolvendo em uma nova e independente característica cultural... e se separaram os fortes laços da herança africana...

Obviamente que devemos levar em consideração a influência das fortes proibições do sistema estabelecido a tudo o que diferente do padrão europeu... Havia uma repulsa a tudo que lembrava aos costumes africanos e africanistas (a música, a dança, o vestuário, a religião...). A policia proibia o samba, o afoxé, a capoeira, a crença e a religião, aliás, prohibia (grafia da época) tudo que fosse ligado aos costumes do povo negro africano, pois entendiam como abominável aos bons costumes europeus e a tez ariana, qualquer manifestação ligada aos negros, pardos e índios da terra... (para se aprofundar mais no assunto da “teoria racial no Brasil” deixo como sugestão a leitura de Nina Rodrigues, João Batista de Lacerda, Silvio Romero e seus pares da época.

A discriminação era de toda a ordem, se adicionavam termos pejorativos. Depreciativos e até debochados para toda e qualquer manifestação, e o pior, a nossa própria gente da periferia, agregava e repetia tais pensamentos e formas de agir, dizendo muitas vezes, por exemplo que “samba era coisa de malandro bêbado”. A capoeira; “coisa de nego briguento”... Houveram muitos casos, principalmente na Bahia, do próprio povo negro e de terreiro, considerar os capoeiras como “bandidos”, por seus irmãos de cor e, muitas vezes, pelas mães de santo, que, por exemplo, abominavam e proibiam os filhos de jogar, pois chamaria a atenção da policia.

Algum desavisado pode dizer: “isso tudo ficou no passado”... NÃO! Não ficou no passado! ...está presente hoje em dia. Posso afirmar, pois noutro dia ouvi de uma mãe de santo da atualidade dizer: “[...]...ah! mas eu detesto carnaval... quem precisa de carnaval...? [...]este povo que só quer festa, que só faz badernas...[...]” uma tristeza ouvir isso... sem contar que a referida mãe de santo, branca, nem ao menos deve saber ou dar importância para estas ligações tradicionais e históricas com o tronco africanista, e o pior, proíbe ou dificulta o acesso de seus agregados de religião à se envolver com o carnaval... (!).

Desta forma, posso afirmar que vamos nos enfraquecendo, e não tendo lideranças fortes e unidas, vamos agindo e “apanhando”, isolados, de um lado os capoeiras, do outro os carnavalescos, de um outro os religiosos de Umbanda, Quimbanda, Candomblé e Nação... e assim por diante, cada qual no seu nicho, sofrendo discriminações, baixas e todo o tipo de infortúnios diante de uma sociedade cada vez mais está inquirindo a “padronização”... Nosso  povo está apático, não quer mais se reunir, está enclausurado, hibernando suas individualidades e caprichos, fechados ao coletivo e que não se deu por conta que a cada dia perde um pouco de sua força, de sua identidade como povo.

Ramão Carvalho
Janeiro/2017

sábado, 24 de junho de 2017

Meus Motivos e Motivadores

Meus Motivos e Motivadores

Sempre tive muita coragem, principalmente para começar algo, para por em prática alguma ideia, alguma atividade nova... e sempre foi assim, desde a época da escola, nas brincadeiras de infância, no trabalho, na universidade, nas questões culturais, sempre fui muito criativo, sempre tive esta energia para começar alguma coisa. Acredito que esta energia ainda me inspira, e acredito também que esta energia se chama coragem... Sim coragem para vencer os desafios, vencer as dificuldades e quebrar barreiras e paradigmas para se chegar a fazer e realizar algo...

Me lanço neste novo desafio, por sentir que posso colaborar, e muito, com nossa cidade... Tudo começou após externas algumas indignações por parte do descaso, do sucateamento de ruas e serviços como o hospital e também com o fechamento da pasta da cultura... meus incentivadores, parentes e amigos, me incentivaram a ingressar em um desafio: representar o povo de São Leopoldo e de levar todas as minhas ideias ao Legislativo Municipal. Pronto: estava lançado o desafio!

A inspiração na família Tenho na imagem de minha mãe a inspiração e a ela devo a formação de maus valores o do meu caráter... ela sempre presou por ser correto, honesto, ser uma pessoa integra e “do bem”. Meus irmãos e irmãs beberam também desta fonte, e sempre me mostraram que trabalhar é batalhar e lutar pelo que se quer... Aliado a tudo isso, vejo e sinto em minha família religiosa muitas destas lições e questões, de amar ao próximo, de fazer caridade, se preocupar com o bem estar do outro, de tolerância, de convívio, de proteção à natureza... Enfim, sou norteado, guiado e protegido por seres do bem!

segunda-feira, 4 de julho de 2016

Ultimatum



Ultimátum de um desabafo moderno.
[inspirado no célebre texto de Álvaro de Campos]

Fora a toda a velha fórmula política e social que está aí;
Fora os donos das terras brasilis, desde as naus às hereditárias capitanias;
Fora o coronelismo, a ditadura, mãos, punhos e testas de ferro da nação;
Fora a todo o mal educado, de todas as esferas, de todas os logradouros;
Fora ao mal caráter, mentiroso e corrupto representante do povo;
Fora tu, falsa celebridade, vazia de ideias, vazia de conhecimento;
Fora tu socialista a querer padronizar os ganhos, as posses e não querer perder as suas;
Fora tu, devorador capitalista que incentiva a fome e o lucro a qualquer custo;
Fora as grandes fortunas, diante de tanta pobreza...
Fora tu, poluidor das aguas, do solo e do ar...
Fora também a toda a forma padronizada de pensar;
Fora, fora, fora a toda ideia depreciativa da cultura alheia;
Fora todo o preconceito! Fora todo o resquício da inglória escravidão;
Fora a ânsia que alguns seres têm do próximo;
Fora a todo o fanatismo, religioso, político, ideológico, fora a todos...
Fora tu, falso profeta, que se utiliza da carência do povo para fazer valer de seus caprichos, de suas vontades, de suas mais obscuras mentiras;
Dou um “ultimatum a eles todos, e a todos os outros que sejam como eles todos!”
Se não querem sair ou ir para fora, que tomem um banho de vergonha;
Limpem-se da sem-vergonhice, da ignorância, da falácia; da mentira...
Onde está a filosofia crítica? Onde está a arte? Onde está a educação deste nosso povo?
A nossa gente não conhece sua história, não entende a formação de sua identidade, não se pertence como nação, não honra e não louva sua pátria, não honra os seus;
Somos um povo que tem vergonha de seus antepassados... nega sua cultura...
Por isso grito, falo, esbravejo, retumbo em alto e em bom tom um sonoro:
FORA A TODOS OS IGNORANTES!!!
Reforço! Fora à ignorância, fora a falta de conhecimento, fora ao despreparo! FORA!!!

Rogo por um milagre, seja de qualquer divindade, de qualquer credo, ou de todos Eles juntos; pois com as bases culturais, políticas de governo, as leis torpes e contraditórias, e também a todo o tipo de desserviço que aí estão, não chegaremos nunca, ao status de uma nação desenvolvida, organizada, limpa e educada... L

terça-feira, 31 de maio de 2016

Entender para mudar

PARE!

ATENÇÃO! Caso não goste de leitura crítica, feche este blog/site...

Este espaço crítico servirá sempre para Pensar, Agir, Reagir e Entender...
Penso que devemos parar, sim PARAR com tudo o que estamos fazendo, e, por um momento organizar as ideias e a mente, PENSAR, em tudo o que estamos fazendo, e ponderar: Isso é importante? Isto agrega algo em minha vida? Estou feliz com tudo que estou fazendo? Tudo o que faço vai ser importante para o meu futuro?

Munido destas perguntas bem básicas, poderemos nos preparar para então agir, e para reagir ao que estamos vendo e tomando diante de nossos olhos. Parar e pensar, serve para uma analise, e nunca para tomar decisões precipitadas. Pensar e refletir, serve também para melhor entender aos aspectos, ao contexto, aos fatos e aos acontecimentos de nossa vida, de nossas relações, enfim, devemos ir do micro ao macro para entender e se conectar com o todo – tarefa difícil.

Ao pensar os aspectos da vida cotidiana, vamos avaliar com mais precisão os acontecimentos atuais, as suas ligações com o passado e o quanto isso vai [ou poderá] influenciar num futuro próximo, ou a longo prazo... Para tudo isso, uma análise crítica é mais do que necessária... entender o que somos, e mais importante: aceitar a condição [ou não aceitar] tudo o que nos cerca, é fato importante para as decisões supra citadas...

Comecemos pelo princípio, o que somos? Como viemos chegar até aqui? Quem é este povo brasileiro? Quem é esta gente colorida, amistosa, faceira, desleixada, preguiçosa politica e culturalmente... que tem muitos contrastes, muitos sotaques... Como entender tudo isso? As respostas podem ser gestadas por diferentes pontos de vista, por uma boa reflexão, a qual pode ser ajudada por Capistrano de Abreu, Gilberto Freyre, Sérgio Buarque de Holanda... Caio Prado Junior, Celso Furtado, e tantos outros pensadores que analisam o povo brasileiro e sua formação como povo...

Compreender e entender o mínimo da história de nossa pátria, de como nossa gente foi gestada e formada, são questões urgentes... a formação dos costumes, culturas e tudo o que nos identifica como povo, como cidadãos, como pátria... Tudo isso serve para que, munido de informações precisas e fundamentais, comecemos a tomar decisões, para MUDAR... para sermos mais conscientes e, talvez, se aproximar de um status próximo ao de uma Nação desenvolvida, com mais sabedoria, mesmo que concisa, mas suficiente.

Para transformar nosso ambiente físico e cultural em um lugar decente, limpo e organizado, e no coletivo, elevar este país a um patamar, e, principalmente num lugar melhor para se viver... Para tal, para chegarmos neste patamar de um lugar descente e bom de viver, deveremos começar a pensar em mudanças, de como fazer diferente, melhorar, organizar, mudar... 

Penso que este modelo que está aí não serve... não é adequado, esta velha e corrupta política deve ser extirpada, deletada, exilada... para uma nova ordem, para o progresso desta imensa nação... Como isso vai acontecer? Assunto para um novo post... porém, podemos nos antecipar, ensinando nossos filhos, servindo de exemplo de educação e disciplina, sendo polidos e ordeiros em nossa casa, na rua, no condomínio, no bairro, cidade, estado, país... agindo com posturas éticas, corretas e tranquilas... Até mais... 

quarta-feira, 4 de novembro de 2015

Você tem sede de quê? Você tem fome de quê?


Você tem sede de quê? Você tem fome de quê?

Como cidadão orgulhoso da nossa terra capilé, tenho pensado muito nas questões sociais e culturais de nossa São Leopoldo... e em meio ao caos na saúde, passando por ruas esburacadas... entristeço-me vendo a desconstrução física da cidade, ao ver o patrimônio ruir, mas também, aumenta minha insatisfação ao ver e sentir a cultura e a educação, abandonadas e esquecidas...

Em nossa cidade, que já foi polo cultural da Região Metropolitana, onde tínhamos uma Secretaria de Cultura, onde tínhamos uma estrutura cultural, com um rico calendário de festividades, desde uma São Leopoldo Fest de grandeza e expressão regional e estadual, tínhamos um carnaval rico e organizado (com 2 escolas de samba que chegaram ao grupo especial do carnaval da capital); Uma Semana da Consciência Negra expressiva... desfiles temáticos de Sete de Setembro e Vinte de Setembro...

A “desculpa” que ouvi, dos rumores, sim, rumores, pois não somos mais nem ouvidos como cidadãos, pois não há mais aquele canal de ligação com as pessoas, com os agentes culturais, com quem aprecia e com quem faz a cultura. Pois bem, estes rumores culpam a crise e a falta de recursos, argumentos para não empreender dinheiro em cultura.

Penso que, muito do que está acontecendo, é culpa da má gestão e da má administração... uma vez que, as outras administrações conseguiam gerir recursos para a cultura e para a educação...e vem a dúvida: Por que isso não mais acontece? – e veja bem, não estou aqui falando de siglas partidárias, nem da gestão anterior [que, aliás, fez uma excelente administração na pasta da cultura], estou referenciando à todas as demais administrações antes desta, as quais este município já teve...

Penso também que precisamos fazer algo diferente, inovador, algo que chame a atenção... confesso que não tenho a fórmula, mas podemos nos unir e pensar juntos... o que acham? Vamos nos reunir, caminhar, conversar, discutir (saudavelmente), falar de música, literatura, artes plásticas, de politica, filosofia, de história, de costumes e de tradição ainda enquanto podemos...

Sinto fome de cultura, sinto sede de cultura... e você?

Vamos retomar a atmosfera cultural de nossa cidade...?


Ramão Carvalho.
Novembro de 2015