sexta-feira, 28 de janeiro de 2022

Os injustiçados

 


Coloquei o nome da imagem de "os ex-presidiários", os injustiçados, presos, humilhados, mas que jamais desistiram de lutar e seguir acreditando na humanidade... muito cuidado ao acusar e condenar alguém sem provas ou o pior, encarcerar um ser para privá-lo de suas convicções...

SINCERAMENTE o que você vê nesta imagem?

Eu vejo pessoas que, por suas convicções, pelo amor ao próximo, tornaram-se heróis no seu tempo! E VOCÊ? O QUE VÊ?

OS EX-PRESIDIÁRIOS, INJUSTIÇADOS QUE ADMIRO DEMAIS:

Te lembras de mais algum vulto histórico que não está mencionado? 

COMPLETA A LISTA AÍ, POR FAVOR!




quarta-feira, 12 de dezembro de 2018

A CRISE NACIONAL E O CARNAVAL.




Este texto foi desenvolvido em janeiro de 2017 para a Coluna do Site de Cultura Popular, o Setor1, mas verifico (com muita tristeza), que ele ainda é muito atual, por isso resolvi reeditá-lo.

Venho através desta coluna, me manifestar sobre o que tenho lido, principalmente nas famigeradas redes sociais, sobre as opiniões de "prós e contras" ao segmento cultural mais integra e congrega artistas no solo brasileiro; que é chamado de Carnaval, segundo Joãozinho Trinta, “a maior manifestação artística a céu aberto do mundo”.

Não vou mencionar a vasta e longínqua história que tem esta manifestação a nível mundial, cito Felipe Ferreira, 2004 e Hiran Araújo 1991, que podem dar uma bom embasamento e orientações desta magnífica manifestação artística. Um verdadeiro fenômeno artístico e cultural, e também social, histórico e antropológico, segundo Eneida, 1987, Rosa Magalhães, 1999 e tantos outros autores... Uma extraordinária fonte de intelectualidade cultural que no Brasil se desenvolveu e criou características próprias graças à miscigenada população (principalmente da união étnica de brancos, negros e indígenas) e que da profusão de seus costumes gestou o ritmo do samba e também as origens do ritmo que embala o carnaval brasileiro. Para estes aspectos, repito, há vasta bibliografia e também é verificado no notório e volumoso trabalho das Escolas de Samba.

Podemos perceber que em nossa sociedade há os que gostam e os que não gostam do carnaval, até aí tudo bem, visto que somos um país plural, o problema grave que verifico neste sentido, se dá ao fato de que, aquelas que não gostam ou não conhecem, ou ainda, que não quererem conhecer a realidade e as especificidades desta complexa manifestação cultural, acabam desferindo comentários desagradáveis, contendo ideias de cunho preconceituoso, culminando com descrédito, atestando o total desconhecimento da realidade que envolve o carnaval como um todo.

O fato é que tenho percebido que alguns, do grupo, dos que não gostam do carnaval, estão aproveitando a atual situação, para malhar, tirando suas rasas considerações acerca de um assunto que abrange uma parcela considerável da população do Brasil que é pobre, de baixa renda ou ainda paupérrima... só por isso! Falamos de carnavalescos, que vivem à margem da sociedade, aquela parcela discriminada, que, na maioria das vezes anda de ônibus, que faz a faxina na sua casa, que ‘bate o ponto’ em alguma fábrica, que paga suas contas em dia, e que encontra nos ensaios, desfiles, shows, apresentações e atividades ligadas ao carnaval, um alento, um divertimento, uma ocupação de ócio criativo, suprindo a falta ou a impossibilidade de acesso aos meios caros e onerosos, e, muitas vezes discriminatórios da arte e da cultura. Há de se ter um considerável poder aquisitivo e econômico para acessar a dança, o teatro, a música, a poesia, a literatura... enfim;

Vale esclarecer para todos que desconhecem as teias de envolvimentos e da possibilidade de suprir um “sem fim” de necessidades da população mais pobre, seja cultural, seja econômica, seja de recreação ou de ocupação a nível de prevenção social – pensando nas áreas de vulnerabilidade – local em que muitas crianças, jovens, adultos e idosos, encontram nestes espaços das escolas de samba, exatamente ali, uma gama de trabalhos sociais e culturais sempre disponíveis. [Oxalá permita que sempre estejam!]

Há quem diga, pejorativamente que é uma cultura de negros, de pobres e de favelados, que é uma esculhambação, uma imundície da sociedade, onde perambulam meretrizes, drogados, bêbados e todo o tipo de infames... Aos que pensam desta forma, não vou entrar no mérito, e digo que é sim um segmento que agrega pobres, favelados, mas também os ricos, os graduados, assim como os analfabetos, os brancos, os negros, os amarelos e toda a palheta de cores e todos os credos, TODOS! Sim, todos, pois é a manifestação mais democrática do planeta!!!! Também digo que este tipo de desqualificação da "cultura do outro" é um fenômeno que interpreto como 'ecos de uma sociedade patriarcal e preconceituosa’. Mas, deixando o preconceito de lado e seguindo uma discussão mais técnica e embasada...

Compreendo que vivemos uma fase muito delicada da vida econômica do nosso país, mas isso se deve às lideranças politicas, das pessoas às quais votamos para, por nós tomar decisões e estas, não estão desempenhando a contendo as suas atribuições... uma vez que o dinheiro dos impostos e das riquezas que geramos (que não são poucas), não estão sendo aplicados de fato nos serviços aos quais foram planejados. Daí surge a “receita burra”: Aumentar impostos! Cortar gastos! Desta forma, com os ditos “cortes de verbas”, os serviços que mais sofrem com este fenômeno é o social, principalmente os ramos da cultura e do lazer, garantidos por Lei Federal, como podemos verificar o que rege a Constituição:

 Capítulo III - Da Educação, da Cultura e do Desporto, na Seção II - Da Cultura:
Art. 215. O Estado garantirá a todos o pleno exercício dos direitos culturais e acesso às fontes da cultura nacional, e apoiará e incentivará a valorização e a difusão das manifestações culturais.
§ 1º O Estado protegerá as manifestações das culturas populares, indígenas e afrobrasileiras, e das de outros grupos participantes do processo civilizatório nacional.
§ 2º A lei disporá sobre a fixação de datas comemorativas de alta significação para os diferentes segmentos étnicos nacionais.
§ 3º A lei estabelecerá o Plano Nacional de Cultura, de duração plurianual, visando ao desenvolvimento cultural do País e à integração das ações do poder público que conduzem à:
I - defesa e valorização do patrimônio cultural brasileiro;
II - produção, promoção e difusão de bens culturais;
 III - formação de pessoal qualificado para a gestão da cultura em suas múltiplas dimensões;
IV - democratização do acesso aos bens de cultura;
V - valorização da diversidade étnica e regional.

A maioria dos comentários que leio, verifico algumas pessoas dizendo que os prefeitos devem pegar o dinheiro do carnaval e investir na saúde, para tapar os buracos das ruas, investir em segurança... Daí vem a grande questão: na minha cidade, São Leopoldo-RS, por exemplo, no ano passado não teve carnaval, e, daí vem a pergunta: "como andam os buracos da cidade e a situação da saúde?" Resposta: “Na mesma ou pior...”. Aliás, a verba de 2016 que serviria de fomento ao carnaval de São Leopoldo foi transferida, segundo a presidente da Associação Carnavalesca, para reforma da Biblioteca e do Teatro Municipal... “e cadê a obra?” “...e o pior: “cadê o dinheiro?”...

Seguindo o mesmo preceito da Lei Federal na Constituição, que garante o acesso de todos os brasileiros à Cultura, para o Carnaval de São Leopoldo, que nos serve de exemplo acima, também há uma Lei municipal mais específica que ampara e garante os desfiles carnavalescos e que não foi cumprida pelo prefeito da gestão 2013-2016:

Art. 1º Ficam alterados os artigos 1º e 3º da Lei Municipal nº 5.493, A/2004, passando a vigorarem com a seguinte redação:
"Art. 1º Fica criado o carnaval de rua anualmente no município de São Leopoldo com todas as suas manifestações tradicionais, passa a ser considerado evento oficial do município, com administração, execução e comercialização pelo Poder Público, através da Secretaria Municipal da Cultura e da Associação das Entidades Recreativas Culturais e Carnavalescas de São Leopoldo.
 "Art. 3º Os desfiles de agremiações carnavalescas serão realizados em logradouros públicos deste município, com as condições de infraestrutura e orçamento com recursos alocados e colocados à disposição pelo Poder Executivo através de dotação orçamentária da Secretaria Municipal da Cultura.
§ 1º  Os recursos deverão ser repassados à Associação das Entidades Recreativas Culturais e Carnavalescas de São Leopoldo em 03 (três) parcelas até a data de realização do carnaval, devendo o investimento do carnaval não ser inferior ao do ano anterior."

LEI MUNICIPAL Nº 5.493, de 08 de julho de 2004 - CÂMARA DE VEREADORES DE SÃO LEPOLDO. Emenda Lei municipal 6458/07 da Câmara de Vereadores de São Leopoldo.

Para os que só criticam; somos uma significativa parcela da população, reconhecemos sim que os serviços básicos sociais devam ser garantidos, e é para isso que se trabalha, é por isso que pagamos os impostos, que seguimos as Leis e os Regimentos da Nação, do Estado e do Município: para ter nossos direitos garantidos.

A reflexão que teremos que fazer é de que não é a verba, ou o incentivo, ou o fomento (como queiram chamar) que é a base do carnaval... que esta “merreca” não vai salvar o salário dos servidores, do funcionalismo em geral, das obras públicas, da saúde, de um hospital novo, dos buracos das ruas e avenidas, da criminalidade, do desemprego, da fome, da falta de educação, o aumento de salários dos nossos representantes políticos...

Esta economia do carnaval, vai fomentar e movimenta a cadeia produtiva local girar, vai garantir empregos temporários, vai envolver e disponibilizar para aqueles que vivem nos guetos, nas vilas, favelas, comunidades carentes; acesso aos diversos segmentos culturais que o carnaval engloba, pois tecnicamente há nestes espaços muita literatura, por exemplo, nas pesquisas para desenvolver os enredos, na música, presente no samba, nas aulas de violão, de cavaco, nas aulas de canto, na percussão (ritmos percussivos da bateria), nas artes plásticas presentes nos figurinos, nas esculturas, nas decorações, no visagismo... etc..., há nestes espaços, locais de convívio, de pertencimento às diversas manifestações e atividades culturais que envolvem o universo de uma Escola de Samba, acho triste ver aqueles que só criticam, pessoas ditas inteligentes, que cometem a gafe de falar bobagens por não saber e não conhecer (muito menos reconhecer) que o samba e o carnaval representam o Brasil para o mundo todo.

Dados atualizados: A indústria do carnaval, o nome dado ao conjunto de atividade para produção de fantasias, adereços, e materiais para os carros alegóricos, movimentou cerca de 6,25 bilhões de reais e gerou mais de 20 mil empregos em 2018[i]. Só as escolas de samba do grupo especial gastam cerca de 100 milhões de reais em matéria-prima — sem contar salários e serviços — para pôr seu enredo na avenida.

Para finalizar: o dinheiro do carnaval, não vai resolver nenhum problema financeiro dos outros serviços que o governo estadual e federal e também alguns dos prefeitos (por incompetência) não pagaram... sempre vai faltar! #ficaadica.


FONTES DE CONSULTA
ARAÚJO, Hiram. Carnaval: seis milênios de história. Rio de Janeiro: Gryphus, 2003.
BORGES, Maria Eliza Linhares. História e fotografia. 2. ed. Belo Horizonte: Autêntica, 2008.
BURKE, Peter. Testemunha ocular: imagem e história. Bauru: EDUSC, 2004.
CAPELATO, M. Helena. Imprensa na República: uma instituição pública e privada. IN: SILVA, Fernando T. da et al. (orgs). República, Liberalismo, Cidadania. Piracicaba: UNIMEP, 2003, p. 139 – 150.
CHARTIER, Roger. A história cultural: entre práticas e representações. Tradução Maria Manuela Galhardo. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 1990.
COSTA, Haroldo. Política e religiões no carnaval. São Paulo: Irmãos Vitale, 2007.
DA MATTA, Roberto. Carnavais, malandros e heróis. Rio de Janeiro: Zahar, 1983.
DO BRASIL, Constituição Federal. Constituição federal. São Paulo: Revista dos Tribunais, 1988.
EGGERS, José Carlos. FIALKOW, Miriam Zeltzer. RAMOS, Eloisa H. Capovilla da Luz. Sociedade Orpheu: da História de um nome a identidade de um clube. São Leopoldo. Edição Sociedade Orpheu.1996.
FERREIRA, Athos Damasceno. O Carnaval pôrto-alegrense no século XIX. Porto Alegre: Livraria Globo, 1970.
FERREIRA, Felipe. O livro de ouro do carnaval brasileiro. Rio de Janeiro: Ediouro, 2005.
KRAWCZYK, Flávio; GERMANO, Iris; POSSAMAI, Zita. Carnavais de Porto Alegre. Porto Alegre: Prefeitura de Porto Alegre. Secretaria Municial de Cultura, 1992.
LAZZARI, Alexandre. Coisas para o povo não fazer: carnaval em Porto Alegre (1870-1915). Edunicamp: Campinas, 2001.
LE GOFF, Jacques. História e memória. Campinas: UNICAMP, 1990.
LEAL, Caroline Pereira. As Mulheres no Reinado de Momo: lugares e condições femininas no carnaval de Porto Alegre (1869-1885). Programa de Pós-graduação em História. PUCRS. Porto Alegre, 2008.
MOEHLECKE, Germano Oscar São Leopoldo Era Assim - o passado pela imagem. Edição do Autor. 1982.
MORAES, Eneida de. Historia do carnaval carioca. Rio de Janeiro: Record,1987.
PINHEIRO, Marlene M. Soares. A travessia do avesso: sob o signo do carnaval. São Paulo: Annablume, 1996.
POLLAK, Michael. Memória e identidade social. In: Estudos Históricos. Rio de Janeiro, vol.5, nº 10, 1992.
SOIHET, Rachel. A Subversão pelo riso: estudos sobre o carnaval carioca da belle-époque ao tempo de Vargas. Rio de Janeiro: FGV, 1988.
VON SIMSON, Olga R. de Moraes. Carnaval em Branco e Negro, Carnaval Popular Paulistano (1914-1988). Campinas. Ed. da Unicamp, EDUSP e Imprensa Oficial, 2007.



[i]UOL, ed. (9 de fevereiro de 2018). «Carnaval deve movimentar R$ 6 bilhões e gerar 20 mil empregos». Consultado em 11 de fevereiro de 2018.

terça-feira, 30 de janeiro de 2018

Estamos enfraquecidos




Estamos enfraquecidos... e de quem é a culpa? É NOSSA!!!

Sim! Uma pesada e doída exclamação! A culpa é sim; toda nossa! Relfexões!

Tenho sido um tanto ácido ultimamente em meus textos, sei disso... mas é tudo o que tenho percebido e sentido nestes tempos difíceis... Logo tenho que fazer uma pequena defesa antes de prosseguir... As coisas estão fora de controle mesmo, e verificamos isso dia a dia, ano a ano, nossas dificuldades tem aumentado de forma exponencial... e potencializa os problemas, e aumenta o drama social o qual estamos vivemos...

Mas porque tudo isso acontece? Acredito que isso acontece e continua acontecendo, pois vem de encontro com a maldição deste país que tem na corrupção uma herança detestável, vinda desde os primórdios da colonização, de um povo que na imensa maioria gosta de “se aproveitar” de tudo e de todos... enfim, de uma série de problemas sociais ligados aos vícios e do descaso que temos como a vida pública e com a saúde social de nosso povo. Há também, associado a tudo isso aquela síndrome de que ‘tudo o que é de brasileiro não presta!’

Estamos cada vez mais discriminados, mais suscetíveis às humilhações e ao descaso, pois deixamos que um sistema intolerante deprecie a nossa cultura popular por exemplo. Um sistema que tem aumentado a modinha da “padronização dos costumes”, que busca um ‘endireitamento’ utópico e a “fórceps”, com uma receita calcada em política+religião, com um vertiginoso crescimento de lideranças religiosas e fundamentalistas, e que, enxergam o mundo segundo os seus dogmas. Um sistema que a cada dia que passa, supervaloriza e importa tudo o “que vem de fora”, e tudo o que é “dos states”, ou seja lá de onde, desde que seja melhor, mais “da hora” ...menosprezando o que é daqui, o que realmente é a genuína cultura brasileira... uma tristeza!

Não quero entrar numa paranoia, de que há uma conspiração arquitetada, mas fico pensando... será que há um plano maior sendo direcionado, que ao longo dos anos e décadas vem deturpando os costumes dos que não são “o oficial da nação” e dividindo a nossa gente, tal qual fizeram aqueles homens com os africanos nos navios negreiros, onde os grupos étnicos de mesma língua e de parentesco eram divididos para que não se rebelassem, para evitar que se unissem contra seus algozes escravagistas...

Hoje em dia, permitam-me fazer uma metáfora... falamos muito em matriz e raiz africana, por exemplo... ao se referir, muitas vezes, orgulhosos da base ou das origens de nossos costumes. Verifico que esta matriz ou raiz gerou um caule robusto, se misturou no malungo, resistiu e cresceu frondoso com a força e a fé e, porque não dizer; com a fibra e a coragem de nossos antepassados? Acontece que vieram as tais ‘modernidades’, e o troco foi se ramificando em diversos galhos... estes galhos foram perdendo algumas de suas propriedades, se modificaram e incorporaram outros costumes, outros saberes... e estes galhos ficaram cada vez mais longe do tronco e mais longe da raiz...

A este frondoso e espesso tronco, humildemente nossos velhos mantiveram, muitas vezes abaixo de muita chibatada, todo o arcabouço cultural, guardando detalhes tradicionais, a base da complexa força dos Orixás, dos movimentos da dança-ritmo-luta da capoeira, dos muitos sons, diversos toques, dos temperos, dos segredos, das folas e das ervas, da catimba, das mandingas, de sua gênese, de lendas, de mitos que explicam o mundo e de tudo mais... conviviam neste cinturão a religião, a capoeira, a culinária, o semba, o jongo, as vestes e noções do vestuário, de costumes e todos os sabores, os cheiros e os ritmos dos mais diversos, e no tronco da tradição, todos eram guardados e, mesmo sendo “pluri”, eram considerados como “uno”, pois estavam sob a mesma égide, ou ainda, sob o mesmo céu-òrun, guardados sob o alá sagrado da proteção divina.

Passado o tempo, as novas gerações experimentaram novas concepções, o homem branco europeu e o sistema estabelecido ofereciam coisas novas, ritmos novos, havia a possibilidade e a aproximação de novos saberes, e, a apropriação de novas culturas, foram transformando o que era tradicional. Assim, sem perceber que deglutiam o ódio e a intolerância, nossos irmãos foram se alimentando destes “novos costumes”; esquecendo, ou mesclando o passado ancestral...

Desta forma, metaforicamente foram se separando os galhos do tradicional tronco. Cada galho cresceu em separado, cada qual com uma daquelas propriedades, que antes eram o todo, o todo que resistia, que era fortalecido pela sabedoria dos velhos antepassados... Cada galho foi se auto afirmando, se desenvolvendo em uma nova e independente característica cultural... e se separaram os fortes laços da herança africana...

Obviamente que devemos levar em consideração a influência das fortes proibições do sistema estabelecido a tudo o que diferente do padrão europeu... Havia uma repulsa a tudo que lembrava aos costumes africanos e africanistas (a música, a dança, o vestuário, a religião...). A policia proibia o samba, o afoxé, a capoeira, a crença e a religião, aliás, prohibia (grafia da época) tudo que fosse ligado aos costumes do povo negro africano, pois entendiam como abominável aos bons costumes europeus e a tez ariana, qualquer manifestação ligada aos negros, pardos e índios da terra... (para se aprofundar mais no assunto da “teoria racial no Brasil” deixo como sugestão a leitura de Nina Rodrigues, João Batista de Lacerda, Silvio Romero e seus pares da época.

A discriminação era de toda a ordem, se adicionavam termos pejorativos. Depreciativos e até debochados para toda e qualquer manifestação, e o pior, a nossa própria gente da periferia, agregava e repetia tais pensamentos e formas de agir, dizendo muitas vezes, por exemplo que “samba era coisa de malandro bêbado”. A capoeira; “coisa de nego briguento”... Houveram muitos casos, principalmente na Bahia, do próprio povo negro e de terreiro, considerar os capoeiras como “bandidos”, por seus irmãos de cor e, muitas vezes, pelas mães de santo, que, por exemplo, abominavam e proibiam os filhos de jogar, pois chamaria a atenção da policia.

Algum desavisado pode dizer: “isso tudo ficou no passado”... NÃO! Não ficou no passado! ...está presente hoje em dia. Posso afirmar, pois noutro dia ouvi de uma mãe de santo da atualidade dizer: “[...]...ah! mas eu detesto carnaval... quem precisa de carnaval...? [...]este povo que só quer festa, que só faz badernas...[...]” uma tristeza ouvir isso... sem contar que a referida mãe de santo, branca, nem ao menos deve saber ou dar importância para estas ligações tradicionais e históricas com o tronco africanista, e o pior, proíbe ou dificulta o acesso de seus agregados de religião à se envolver com o carnaval... (!).

Desta forma, posso afirmar que vamos nos enfraquecendo, e não tendo lideranças fortes e unidas, vamos agindo e “apanhando”, isolados, de um lado os capoeiras, do outro os carnavalescos, de um outro os religiosos de Umbanda, Quimbanda, Candomblé e Nação... e assim por diante, cada qual no seu nicho, sofrendo discriminações, baixas e todo o tipo de infortúnios diante de uma sociedade cada vez mais está inquirindo a “padronização”... Nosso  povo está apático, não quer mais se reunir, está enclausurado, hibernando suas individualidades e caprichos, fechados ao coletivo e que não se deu por conta que a cada dia perde um pouco de sua força, de sua identidade como povo.

Ramão Carvalho
Janeiro/2017

sábado, 24 de junho de 2017

Meus Motivos e Motivadores

Meus Motivos e Motivadores

Sempre tive muita coragem, principalmente para começar algo, para por em prática alguma ideia, alguma atividade nova... e sempre foi assim, desde a época da escola, nas brincadeiras de infância, no trabalho, na universidade, nas questões culturais, sempre fui muito criativo, sempre tive esta energia para começar alguma coisa. Acredito que esta energia ainda me inspira, e acredito também que esta energia se chama coragem... Sim coragem para vencer os desafios, vencer as dificuldades e quebrar barreiras e paradigmas para se chegar a fazer e realizar algo...

Me lanço neste novo desafio, por sentir que posso colaborar, e muito, com nossa cidade... Tudo começou após externas algumas indignações por parte do descaso, do sucateamento de ruas e serviços como o hospital e também com o fechamento da pasta da cultura... meus incentivadores, parentes e amigos, me incentivaram a ingressar em um desafio: representar o povo de São Leopoldo e de levar todas as minhas ideias ao Legislativo Municipal. Pronto: estava lançado o desafio!

A inspiração na família Tenho na imagem de minha mãe a inspiração e a ela devo a formação de maus valores o do meu caráter... ela sempre presou por ser correto, honesto, ser uma pessoa integra e “do bem”. Meus irmãos e irmãs beberam também desta fonte, e sempre me mostraram que trabalhar é batalhar e lutar pelo que se quer... Aliado a tudo isso, vejo e sinto em minha família religiosa muitas destas lições e questões, de amar ao próximo, de fazer caridade, se preocupar com o bem estar do outro, de tolerância, de convívio, de proteção à natureza... Enfim, sou norteado, guiado e protegido por seres do bem!

segunda-feira, 4 de julho de 2016

Ultimatum



Ultimátum de um desabafo moderno.
[inspirado no célebre texto de Álvaro de Campos]

Fora a toda a velha fórmula política e social que está aí;
Fora os donos das terras brasilis, desde as naus às hereditárias capitanias;
Fora o coronelismo, a ditadura, mãos, punhos e testas de ferro da nação;
Fora a todo o mal educado, de todas as esferas, de todas os logradouros;
Fora ao mal caráter, mentiroso e corrupto representante do povo;
Fora tu, falsa celebridade, vazia de ideias, vazia de conhecimento;
Fora tu socialista a querer padronizar os ganhos, as posses e não querer perder as suas;
Fora tu, devorador capitalista que incentiva a fome e o lucro a qualquer custo;
Fora as grandes fortunas, diante de tanta pobreza...
Fora tu, poluidor das aguas, do solo e do ar...
Fora também a toda a forma padronizada de pensar;
Fora, fora, fora a toda ideia depreciativa da cultura alheia;
Fora todo o preconceito! Fora todo o resquício da inglória escravidão;
Fora a ânsia que alguns seres têm do próximo;
Fora a todo o fanatismo, religioso, político, ideológico, fora a todos...
Fora tu, falso profeta, que se utiliza da carência do povo para fazer valer de seus caprichos, de suas vontades, de suas mais obscuras mentiras;
Dou um “ultimatum a eles todos, e a todos os outros que sejam como eles todos!”
Se não querem sair ou ir para fora, que tomem um banho de vergonha;
Limpem-se da sem-vergonhice, da ignorância, da falácia; da mentira...
Onde está a filosofia crítica? Onde está a arte? Onde está a educação deste nosso povo?
A nossa gente não conhece sua história, não entende a formação de sua identidade, não se pertence como nação, não honra e não louva sua pátria, não honra os seus;
Somos um povo que tem vergonha de seus antepassados... nega sua cultura...
Por isso grito, falo, esbravejo, retumbo em alto e em bom tom um sonoro:
FORA A TODOS OS IGNORANTES!!!
Reforço! Fora à ignorância, fora a falta de conhecimento, fora ao despreparo! FORA!!!

Rogo por um milagre, seja de qualquer divindade, de qualquer credo, ou de todos Eles juntos; pois com as bases culturais, políticas de governo, as leis torpes e contraditórias, e também a todo o tipo de desserviço que aí estão, não chegaremos nunca, ao status de uma nação desenvolvida, organizada, limpa e educada... L

terça-feira, 31 de maio de 2016

Entender para mudar

PARE!

ATENÇÃO! Caso não goste de leitura crítica, feche este blog/site...

Este espaço crítico servirá sempre para Pensar, Agir, Reagir e Entender...
Penso que devemos parar, sim PARAR com tudo o que estamos fazendo, e, por um momento organizar as ideias e a mente, PENSAR, em tudo o que estamos fazendo, e ponderar: Isso é importante? Isto agrega algo em minha vida? Estou feliz com tudo que estou fazendo? Tudo o que faço vai ser importante para o meu futuro?

Munido destas perguntas bem básicas, poderemos nos preparar para então agir, e para reagir ao que estamos vendo e tomando diante de nossos olhos. Parar e pensar, serve para uma analise, e nunca para tomar decisões precipitadas. Pensar e refletir, serve também para melhor entender aos aspectos, ao contexto, aos fatos e aos acontecimentos de nossa vida, de nossas relações, enfim, devemos ir do micro ao macro para entender e se conectar com o todo – tarefa difícil.

Ao pensar os aspectos da vida cotidiana, vamos avaliar com mais precisão os acontecimentos atuais, as suas ligações com o passado e o quanto isso vai [ou poderá] influenciar num futuro próximo, ou a longo prazo... Para tudo isso, uma análise crítica é mais do que necessária... entender o que somos, e mais importante: aceitar a condição [ou não aceitar] tudo o que nos cerca, é fato importante para as decisões supra citadas...

Comecemos pelo princípio, o que somos? Como viemos chegar até aqui? Quem é este povo brasileiro? Quem é esta gente colorida, amistosa, faceira, desleixada, preguiçosa politica e culturalmente... que tem muitos contrastes, muitos sotaques... Como entender tudo isso? As respostas podem ser gestadas por diferentes pontos de vista, por uma boa reflexão, a qual pode ser ajudada por Capistrano de Abreu, Gilberto Freyre, Sérgio Buarque de Holanda... Caio Prado Junior, Celso Furtado, e tantos outros pensadores que analisam o povo brasileiro e sua formação como povo...

Compreender e entender o mínimo da história de nossa pátria, de como nossa gente foi gestada e formada, são questões urgentes... a formação dos costumes, culturas e tudo o que nos identifica como povo, como cidadãos, como pátria... Tudo isso serve para que, munido de informações precisas e fundamentais, comecemos a tomar decisões, para MUDAR... para sermos mais conscientes e, talvez, se aproximar de um status próximo ao de uma Nação desenvolvida, com mais sabedoria, mesmo que concisa, mas suficiente.

Para transformar nosso ambiente físico e cultural em um lugar decente, limpo e organizado, e no coletivo, elevar este país a um patamar, e, principalmente num lugar melhor para se viver... Para tal, para chegarmos neste patamar de um lugar descente e bom de viver, deveremos começar a pensar em mudanças, de como fazer diferente, melhorar, organizar, mudar... 

Penso que este modelo que está aí não serve... não é adequado, esta velha e corrupta política deve ser extirpada, deletada, exilada... para uma nova ordem, para o progresso desta imensa nação... Como isso vai acontecer? Assunto para um novo post... porém, podemos nos antecipar, ensinando nossos filhos, servindo de exemplo de educação e disciplina, sendo polidos e ordeiros em nossa casa, na rua, no condomínio, no bairro, cidade, estado, país... agindo com posturas éticas, corretas e tranquilas... Até mais... 

quarta-feira, 4 de novembro de 2015

Você tem sede de quê? Você tem fome de quê?


Você tem sede de quê? Você tem fome de quê?

Como cidadão orgulhoso da nossa terra capilé, tenho pensado muito nas questões sociais e culturais de nossa São Leopoldo... e em meio ao caos na saúde, passando por ruas esburacadas... entristeço-me vendo a desconstrução física da cidade, ao ver o patrimônio ruir, mas também, aumenta minha insatisfação ao ver e sentir a cultura e a educação, abandonadas e esquecidas...

Em nossa cidade, que já foi polo cultural da Região Metropolitana, onde tínhamos uma Secretaria de Cultura, onde tínhamos uma estrutura cultural, com um rico calendário de festividades, desde uma São Leopoldo Fest de grandeza e expressão regional e estadual, tínhamos um carnaval rico e organizado (com 2 escolas de samba que chegaram ao grupo especial do carnaval da capital); Uma Semana da Consciência Negra expressiva... desfiles temáticos de Sete de Setembro e Vinte de Setembro...

A “desculpa” que ouvi, dos rumores, sim, rumores, pois não somos mais nem ouvidos como cidadãos, pois não há mais aquele canal de ligação com as pessoas, com os agentes culturais, com quem aprecia e com quem faz a cultura. Pois bem, estes rumores culpam a crise e a falta de recursos, argumentos para não empreender dinheiro em cultura.

Penso que, muito do que está acontecendo, é culpa da má gestão e da má administração... uma vez que, as outras administrações conseguiam gerir recursos para a cultura e para a educação...e vem a dúvida: Por que isso não mais acontece? – e veja bem, não estou aqui falando de siglas partidárias, nem da gestão anterior [que, aliás, fez uma excelente administração na pasta da cultura], estou referenciando à todas as demais administrações antes desta, as quais este município já teve...

Penso também que precisamos fazer algo diferente, inovador, algo que chame a atenção... confesso que não tenho a fórmula, mas podemos nos unir e pensar juntos... o que acham? Vamos nos reunir, caminhar, conversar, discutir (saudavelmente), falar de música, literatura, artes plásticas, de politica, filosofia, de história, de costumes e de tradição ainda enquanto podemos...

Sinto fome de cultura, sinto sede de cultura... e você?

Vamos retomar a atmosfera cultural de nossa cidade...?


Ramão Carvalho.
Novembro de 2015