A ALEGRIA SOCIAL DO CARNAVAL
Por Ramão Carvalho [1]
Carnaval
é tempo de alegria, uma data festiva que existe há milênios, conforme os
autores Hiram Araújo, 2003 e Felipe Ferreira, 2005, entre tantos outros autores
e trabalhos memoráveis, com obras magníficas para quem quer se aprofundar em um
tema tão vasto e rico. O carnaval existe em todo o planeta, porém o do Brasil é
o mais expressivo, tendo diversas características, desde os blocos brincantes
até o espetáculo das escolas de samba. O samba e o carnaval são símbolos
culturais do Brasil e para quem é genuinamente patriota, entender o carnaval,
conhecer e reconhecer que esta ópera a céu aberto é como um patrimônio cultural
é um ato de brasilidade. No carnaval há música, poesia, danças, artes plásticas
e muita informação técnica, verdadeiras aulas populares e públicas, que são
manifestadas com grande entusiasmo e devoção pelas comunidades e pelo povo
carnavalesco.
Quando pensamos em carnaval e em escolas de samba, de pronto, imaginamos os desfiles, apoteóticcos de Rio de Janeiro e de São Paulo, principalmente aqueles que são transmitidos pela grande mídia televisiva, porém, muito além dos desfiles, as escolas de samba possuem um grande quadro de pessoas e de intenso trabalho profissional. Com a finalidade de levar alegria e entretenimento para quem assiste aos seus desfiles, as pessoas são fundamentais para a realização destes espetáculos, considerados as maiores expressões culturais do mundo, como diz Aroldo Costa, 2007: “uma verdadeira ópera a céu aberto”, manifestação cultural reconhecida pelo Guines Book, o livro de registro de recordes.
Para
iniciar o ano carnavalesco, geralmente ao término dos desfiles, iniciam-se as
atividades para definir o ano vindouro, daí surgem todas as atividades de
reciclagem dos materiais utilizados (esta atividade cresce, devido aos parcos
investimentos em cultura), a definição do enredo, a pesquisa literária e
histórica que será a base para o samba, para a música, para os figurinos, ou o
desenho das fantasias e das alegorias e de toda a caracterização do contingente
que desfila em uma escola ou bloco carnavalesco.
Até
aí, esta é a uma das atividades macro e que ocupa uma série considerável de
profissionais e voluntários em sua execução. Para formar esta mão-de-obra muito
específica, as escolas que tem sua comunidade engajada e comprometida, formam
estes artistas na sua base, pois não há curso específico para profissionais do
carnaval, é o caso do aprendizado dos cantores e intérpretes, dos músicos e percussionistas,
dos bailarinos e dançarinos, dos aderecistas, figurinistas, e assim por diante,
onde recebem ensinamentos e orientações para a finalidade de se manifestar
artisticamente nos grandes espetáculos.
O
caso da Sociedade Cultural, Beneficente e Carnavalesca Império do Sol, que
desenvolve oficinas de formação e capacitação em praticamente todas as
atividades relacionadas ao carnaval. Esta Escola de Samba, localizada na cidade
de São Leopoldo/RS, recebe em sua sede, denominada de quadra de ensaios,
pessoas de toda a região metropolitana para socializar a alegria do carnaval,
mas também capacita e desenvolve artistas para o carnaval, não só para suas
apresentações, como para outras co-irmãs da região.
As
“oficinas de formação” são das mais diversas, como de bateria (percussão),
decoração de alegorias e adereços, corte e costura, reciclagem de materiais,
danças do carnaval, atividades relacionadas à administração, marketing, etc...
a escola também recebe alunos para estágio não remunerado e também serviços e
trabalhos voluntários. Vale ressaltar que para participar da escola de samba,
não precisa saber sambar, isso é uma lenda! Aqui todos tem sua parcela de
importância, assim como os que sambam, tem os que tocam, cantam, administram,
enfim, um espaço social amplamente democrático.
Fontes:
ARAÚJO, Hiram. Carnaval: seis milênios de história.
Rio de Janeiro: Gryphus, 2003.
FERREIRA, Felipe. O livro de ouro do carnaval
brasileiro. Rio de Janeiro: Ediouro, 2005
COSTA, Haroldo. Politica e religiões no carnaval. Irmãos
Vitale, 2007.

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