Eco dos sombrios tempos...
Hoje, quero falar de respeito, algo cada vez mais raro em nossos dias. Foi se o tempo em que os pais e as mães cobravam dos filhos, desde a infância, posturas e atitudes respeitosas. Foi se tempo das aulas e das lições de etiquetas, de boas posturas e de bons modos e costumes… infelizmente, foi se o tempo...
As redes sociais estão aí para nos dar múltiplos exemplos da ausência de empatia, da falta de cortesia e de educação. Houve um tempo em que as pessoas prezavam pela elegância, pela compostura e por amabilidade ao próximo. Sabe-se, obviamente, que nunca foi plena a convivência amigável entre os seres “humanos”, mas buscava-se manter uma conduta reta e exemplar.
O que se verifica hoje em dia é que a disciplina, a gentileza e a civilidade estão demodê. A convivência salutar e amistosa não são mais prezadas, e o pior; vivemos um tempo de sentimentos descontrolados, o comportamento atual se caracteriza fortemente pelo desprezo, pela injúria, pela afronta e na provocação ao próximo, denotando apreço pelas “más posturas sociais”, muitas vezes um cisma e uma implicância gratuita para com o seu congênere.
Ainda sobre as redes sociais, as pessoas se fazem valer de um recurso eletrônico e remoto, pois presencialmente talvez não teriam coragem de desferir esta profusão nefasta de manifestações de ódio, de desconsideração, de desaforos, desacatos e tudo mais que gira nas publicações, comentários, contendo nos posicionamentos expressões do tipo: “dane-se!”, “f*da-se!”, entre outras sandices, pairando sobre tudo os palavrões que estão na moda, por nada gritam raivosamente o “porra!”, sem contar os insultos ofensivos e de baixo calão que nem vale a pena repetir ou aqui digitar...
As modinhas e as musiquinhas “lacradoras” nos perfis e nos aplicativos, trazem frases feitas com mensagens de pura futilidade social e de desconsideração total para com o próximo como por exemplo: “atura ou surta”, “chora mais”, “aceita que dói menos”, “se não gostou, se mata que passa”… etc, etc, etc… um festival de expressões duras e marcadas por afrontas descabidas e desnecessárias... sem comentar as futilidades musicais que estão em voga, um verdadeiro festival de baixarias.
Estas atitudes estão aguçadas com a famigerada polarização… Esta contraposição teimosa e vazia de ideias está ultrapassada e fecha as portas do progresso, não levando a nada e a lugar nenhum! Sempre houveram divergências e dicotomias no ponto de vista político e no mundo das ideias, mas apelar para baixarias, palavras de baixo calão e destilação de ódio não nos permite avançar, muito pelo contrário. Vê-se nestes dias, cidadãos de bem e tementes a Deus, proferindo aos gritos e berros, palavras odiosas aos seus semelhantes… destas, que são repetidas e repetidas, tornando o som característico e “normalizado” eco dos sombrios tempos...
Acredito piamente que a humanidade está perdida! E este trem chamado desrespeito está, a cada dia, mais e mais veloz, sendo alimentado pela fornalha da raiva, do ódio, da intolerância e do vazio espiritual de seres sem um sentido emocional, o que pode ser explicado pela futilidade vivida nestes nossos tempos sombrios e tristes. Acredito também que só os investimentos e os incentivos na educação e na cultura possam salvar a nossa nação e a nossa humanidade!
Fonte: 2021-12-07 – CARVALHO, Ramão. Ecos dos sombrios tempos.
Matéria da coluna Jornal Noticiário. Página 08. São Leopoldo/RS. Edição 274,
dezembro/2021.
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