quarta-feira, 24 de janeiro de 2024

Pautas Sociais

Pautas polêmicas?

Polêmicas são discussões ou demandas que contém contestações, pendências ou controvérsias, contradições de ideias, envolvendo itens que geram debates dicotômicos de diferentes pontos de vistas. Estamos cercados de pautas polêmicas. Mas, seriam todas elas polêmicas?

Considero aqui as pautas polêmicas, aquelas que descontentam ou contradizem as convicções de alguns e que, muitas das vezes ou quase sempre, desferem ou articulam discussões rasas sobre temas tão complexos da civilidade humana, e que também, são tratados e articulados por pessoas que não possuem domínios técnicos para tal.

Considero também, em minha singela opinião, de que o povo brasileiro ainda não tem maturidade para tratar de pautas tão essenciais e que melhorariam muito a vida do povo como por exemplo a reforma agrária e a racionalização dos direitos fundiários, a descriminalização de drogas medicinais, do aborto em casos excepcionais, enfim, o debate, muitas vezes, toma formatos e composições deformadas, ideológicas e irracionais.

Digo isso pois percebemos “barbaridades” ditas e escritas sobre as cotas de reparação, por exemplo, que quase sempre terminam em racismo escrachado por pessoas que ao menos sabem ou vivem o que o ‘outro’ vive no dia-a-dia. Assim como as discussões superficiais sobre os direitos sociais dos LGBTQIAPN+, das mulheres e assim como os direitos constitucionais que nossa população tem como o da moradia, por exemplo seguem, causando polêmicas.

Ainda há, em pleno ano de 2024, casos torpes de intolerância religiosa! Esta sim é uma polêmica desrespeitosa e estúpida! Não há o que ser discutido acerca deste tema, não existem compêndios que elaborem ou embasem especificações para o credo de cada ser, o que existe de solução para este tema é o RESPEITO em “caixa alta” e com todas as letras.

São consideradas polêmicas, pois são pautas que ainda não são vencidas, mas que configuram interesses e conflitos com a posição política e suas convicções religiosas, ferindo o princípio da coletividade onde, em favorecimento ao posicionamento dos interesses de alguns, torna inatingível a solução de muitos temas que poderiam ser bem conduzidos para o bem da Nação.

Mas não nos iludamos, isso não se tratam de simples polêmicas e sim lapsos da alma, miasmas doentios da psiquê de alguns e de algumas que se prendem a idiotices e defeitos repassados de geração em geração. Estas ‘polêmicas’ precisam ser resolvidas para tirar nosso país do atraso social, se desprender dos problemas elementares e alavancar o desenvolvimento técnico e tecnológico de uma gente ordeira e colorida e entender que esta é a glória do país mais plural do mundo! Avante Breasil!

CARVALHO, Ramão E.D. de. Pautas Polêmicas. Matéria para o Jornal Noticiário em Janeiro de 2024. Edição 296. Página 15.



sábado, 2 de setembro de 2023

Representatividade leopoldense

 AFINAL, QUAIS SÃO OS NOSSOS SÍMBOLOS?

Motivado e instigado pelas movimentações em torno do bicentenário da imigração alemã em São Leopoldo, ponho-me a pensar: “-Seriam os imigrantes germânicos os fundadores da nossa cidade?” E por que trago esta indagação? Pois percebo que é do senso comum, as manifestações das mais variadas fontes, tratar e referir-se ao aniversário desta urbe no dia vinte e cinco de julho.

Penso que há um grande equívoco e que devemos aproveitar o ensejo para reparar, e, principalmente pensar em uma solução ao tempo que estamos vivenciando. Penso também que podemos aproveitar todo este aparato festivo preparatório em se tratando das comemorações que servirão para lembrar da chegada desta importante parcela étnica no Brasil e em especial na vinda para a nossa cidade. A seguir, traço algumas ilustrações que vão dar embasamento ao que transcorro aqui, como por exemplo, para além do senso comum já citado, há as representações formalizadas que trazem significados representativos importantes.

Para uma maior compreensão desta crítica opinativa, recorro a Sigmund Freud (1913) em sua análise representativa para a sociedade através dos totens e mitos e trago aqui alguns símbolos oficialmente reconhecidos na Cidade de São Leopoldo. Assim, saliento algumas das especificações simbólicas que são confessas e declaradas oficialmente e que servirão para elucidar algumas afirmações de que existe uma hegemonia da cultura alemã em detrimento às demais culturas da/na cidade.

Podemos começar pelos símbolos e heráldica oficiais aqui extraído do texto que descreve o brasão oficial, que foi gestado e está incrustados de simbologias germânicas, descrito e contido no site da Câmara Municipal de Vereadores, onde em 22/06/1962, o então prefeito de São Leopoldo, Siegbert Saft, sancionou a seguinte lei:

Art. 1º - O Brasão Municipal, criado pela Lei nº 276, de 19 de maio de 1951, representativo do simbolismo do Município, com a configuração do modelo anexo, integrante desta Lei, passa a ter a seguinte característica e definição: [...] "Escudo clássico partido em contrabanda pelo Rio dos Sinos, artéria inicial do povoamento e riqueza da região do atual São Leopoldo, em campo de sinople (verde); em chefe, em campo de gole (vermelho), das armas do Visconde de São Leopoldo, fundador da atual cidade, um leão rompante, de ouro, sustentando um pinheiro de sua cor; em ponta, em campo blau (azul), o monumento ao imigrante, inaugurado em 1924, em prata, Coroa mural, de prata, de quatro torres. O todo ladeado por ramos de acanto em ouro, gole e blau".

Recorremos também a outro símbolo, o Hino da Cidade de São Leopoldo, intitulado “A marcha do Imigrante”, também discorre tão somente sobre a colonização alemã, desprezando todas as outras etnias, peça esta que Câmara Municipal de São Leopoldo reconheceu por Lei Municipal de n.º 4.257, de 26/06/1996, como segue:

[...] LEI MUNICIPAL Nº 4.257, DE 26/06/1996 [...] Institui "A MARCHA DO IMIGRANTE" como sendo o Hino Oficial do Município de São Leopoldo.[...] Faço saber que a Câmara Municipal aprovou e eu sanciono e promulgo a seguinte Lei:Art. 1º - Fica instituída a letra e a música de "A MARCHA DO IMIGRANTE" como sendo o Hino Oficial do Município de São Leopoldo. [...] Art. 2º - Torna-se obrigatório o ensino e a execução do hino "A MARCHA DO IMIGRANTE" nas escolas da rede municipal de ensino de São Leopoldo [...] Art. 3º - Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação, revogadas as disposições em contrário. [...] Prefeitura Municipal de São Leopoldo, 26 de junho de 1996.

Ainda sobre as caracterizações oficiais da cidade, a frase ‘slogan’, termo que deveria servir para caracterizar a todos de forma sintética e identificar a principal definição do lugar, contém a expressão: “São Leopoldo, berço da colonização alemã” e é outra peça que está declarada e materializada nas documentações oficiais e nos mais diversos lugares e usos da localidade.

Seguindo na busca pelas construções imagéticas equivocantes das peças representativas, encontramos no site mais popular da internet, informações da cidade e onde está lá declarado, na aba das informações técnicas, no campo “História” a fundação: 25 de Julho de 1824, onde:

[...] A data de 25 de julho de 1824 passou a ser considerada a data de fundação de São Leopoldo. Instalados na feitoria até que recebessem seus lotes coloniais, este núcleo foi batizado "Colônia Alemã de São Leopoldo" em homenagem à Imperatriz Leopoldina, a esposa austríaca de Dom Pedro I. Nesta época, era então governador do estado o Visconde de São Leopoldo. Fonte: https://pt.wikipedia.org/wiki/São_Leopoldo

Percebam que há um esquecimento ou ainda um apagamento, talvez proposital, das demais etnias que formaram o povo leopoldense. Não há nenhuma citação aos bravos carijós, aos desbravadores lusitanos ou ainda aos trabalhadores africanos que já estavam por aqui quando os alemães chegaram. Não há uma estrofe, nenhum slogam, nenhum brasão ou qualquer outra menção a que estes descendentes miscigenados possam se sentir representados. Assim, necessário se faz uma análise reflexiva na busca por reparação e retratação. O que acham?

Texto de Ramão Carvalho, Professor de História e Ativista Cultural para a Coluna JORNAL NOTICIÁRIO JN - Agosto/2023 - Ed. 291 - Pág. 11 COLUNISTAS.
https://www.facebook.com/photo?fbid=998774128687421&set=a.718561290042041 

segunda-feira, 27 de março de 2023

Prelúdios de 2024


Prelúdios de 2024

O assunto em voga é referente aos duzentos anos ou o bicentenário de São Leopoldo em 2024, aliás, não é para qualquer cidade completar este feito, ainda mais numa constante e próspera trajetória histórica, de tantos fatos narrados, outros tantos ainda para ser descobertos ou reescritos, todos muito importantes e preponderantes para compreendermos a construção das características locais do gentílico capilé e que colaboraram por demais para a identidade da região do Vale do Rio dos Sinos e porque não dizer, do próprio Estado do Rio Grande do Sul.

Vale salientar que, nesta atmosfera preparatória às comemorações dos dois séculos de chegada dos imigrantes, sempre é bom evidenciar de que nem tudo foram flores e não há um romantismo perfeito e harmonioso na história humana. Além disso, a história da cidade não pode se resumir a apenas ou a partir de 1824. O Professor Doutor Martin Norberto Dreher nos ensina que, muito antes dos primeiros 39 imigrantes desembarcarem por aqui, outras tantas iniciativas ocorreram pelo país afora, principalmente com os imigrados germânicos, prefiro me referir assim, uma vez que a Alemanha propriamente dita, ou seja, como uma pátria unificada, viria a ocorrer somente após 1871.

Hoje, para os desavisados que se deparar com os símbolos oficiais citadinos, o hino, a heráldica e o slogan, que estão deveras associados com a germania, negligenciam, por exemplo, a presença dos originários carijós, onde, mais tarde chegaram os açorianos portugueses, que por sua vez trouxeram para a Real Feitoria do Linho Cânhamo os escravizados africanos para fabricar cordas náuticas e também aos demais povos e etnias que por aqui chegaram. Quem só ouve o hino ou se depara com a inscrição “o berço da colonização alemã”, vai pensar que tudo teve origem em 1824 quando desembarcaram os imigrados germânicos, tornando a cidade habitada a partir de então. E não foi assim!

O Governo municipal instituiu através do Decreto nº 9.974, de 26 de outubro de 2021, a criação do Comitê do Bicentenário com a participação de muitas representações e de diversas entidades, buscando contemplar a diversidade plural para acompanhar, construir e para refletir também sobre as comemorações dos duzentos anos, o que, em minha singela opinião, foi uma decisão competente, acertada e representativa, uma vez que muitos detalhes desta história possam ainda ser descobertos, contados e revisitados, gerando uma interpretação construtiva e que represente a todos.

Uma das iniciativas destas ações de contar, enaltecer e disseminar as comemorações da chegada dos imigrantes alemães em São Leopoldo será contada em verso e rima, literatura, música e samba, nas fantasias, nas esculturas, coreografias e adereços da Escola de Samba Império do Sol. Esta corrida cultural que abrange a comunidade como um todo é um rico e potente instrumento para alcançar a todas as pessoas que tem envolvimento com as manifestações de cunho cultural e popular. O enredo, por exemplo, é uma pesquisa literária realizada pelos componentes da escola de samba que, a cada ano, desencadeia a produção do grande espetáculo em forma de dramatização, musical, nas artes plásticas e em múltiplas e infinitas manifestações como seminários, debates, mostras e muito mais.

São Leopoldo Fest com Escola de Samba e Acarajé!

Este conhecimento é disseminado e disponibilizado nos mais diversos locais e para todos os cidadãos que, muitas vezes, residentes nesta cidade que, mesmo sendo inclusiva, não tem ou não acessam os equipamentos culturais como o teatro, a dança, a música e literatura, por exemplo, obtendo na escola de samba um espaço mais amistoso e democrático, com excelentes oportunidades de ligar estas partes, popularizando a história da cidade e, juntando através da recreação cultural, peças de reprodução de saberes artísticos, educacionais, educativos e instrutivos. Desta forma, a população em geral desde a mais versada até a mais simples, vai se divertir, conhecer, produzir e construir juntos a história de nossa cidade através do carnaval.

Fontes

GRÜTZMANN, Imgart; DREHER, Martin Norberto; FELDENS, Jorge Augusto. Imigração Alemã no Rio Grande do Sul - recortes, Okos Editora, Unisinos, 2008.

Texto de Ramão Carvalho, Professor de História e Ativista Cultural para a Coluna JORNAL NOTICIÁRIO JN - Setembro/2021 - Ed. 271 - Pág. 08 COLUNISTAS.

quinta-feira, 15 de dezembro de 2022

o fim de uma era

O fim de uma era!?

O mês de dezembro está aí, e junto dele a sensação de que o ano já está se findando e, junto desta sensação, vem aquele sentimento de reflexão, de ponderar tudo o que aconteceu e também de lembrar das mais diversas situações e por tudo o que passamos, perpassando por outras recordações não só do ano que está por acabar, mas de um balanço de tudo o que vem ocorrendo.

Com isso, surgem muitas lembranças, de muitas situações vividas e experenciadas neste ciclo caracterizado pela volta do planeta esférico em torno do incandescente Sol. Um tempo complexo e difícil de definir em poucas palavras, porém, verificado e marcado por muitas situações dicotômicas, onde predominaram aquelas situações depreciativas e caóticas do ponto de vista humano. Chego numa constatação desconfortável e contundente: de que é o fim de uma era! Assim, nunca mais teremos o mundo em que vivíamos!

As festas de final de ano nunca mais serão as mesmas! Aquele tempo em que desejávamos um ‘Feliz Natal’ e ‘Boas Festas’ para todos que encontrávamos por onde quer que íamos nesta época acabou!!! Sabe por quê? Porque hoje em dia não sabemos ao certo quem é o outro, se é o racista, ou é aquele que não aceita o pobre ascender, ou se é aquele que não tolera a minha ou a tua religião, que pratica ou não se sensibiliza com a violência praticada contra as mulheres, que xinga e ofende aos LGBTQIAP+, que clama, não se sabe porque, por regimes autoritários, entre tantas outras estapafúrdias inexplicáveis...

São tempos difíceis e peço desculpas pela dureza e pelo embrutecimento dos meus sentimentos. Rogo graças à Oxalá, agradecendo que no meu núcleo de amigos, colegas e na maioria dos meus parentes, as pessoas comungam com minhas convicções de comunidade, de convívio salutar e amistoso com todos, todas e todxs... Porém não basta constatar e conviver com esta situação, mas sim, seguir defendendo e praticando a tolerância para a compreensão de que nosso país é plural e miscigenado, ou seja, uma completa mistura de culturas e etnias.

Para este Brasil dar certo, devemos seguir fazendo, cada uma a sua parte, seguir multiplicando o amor, a paz, a fraternidade, a educação e a cultura para vencer as anomalias da alma que estão intensificando e contaminando o sentimento dos seres intolerantes da atualidade. Tenho convicção e certeza de que neutralizaremos estas barbaridades, sendo disseminadores de um país mais complacente e benevolente, legando no exemplo para as novas gerações, podendo voltar a ser um país empático e retomando o carisma costumeiro da época das festas... Para voltar a amar as pessoas como se não houvesse amanhã, resistir é preciso!

Por Ramão Carvalho.

Fonte: 2022-12-15 – CARVALHO, Ramão. O fim de uma era!?. Matéria da coluna Jornal Noticiário. Página 11. São Leopoldo/RS. Edição 284, agosto/2022

quarta-feira, 24 de agosto de 2022

A Pátria amada de todos nós!

À Pátria amada de todos nós!

    Vamos dar um salve ao sete de setembro e para a celebração do dia da independência! Aos patriotas e nacionalistas de nosso país, que conservam o orgulho estupefado de nossa Nação Plural, este é o tempo de comemorar a Independência da Nação brasiliana. A data é marcada pela emancipação política da metrópole Portugal. A reflexão a ser feita, é de que devemos e deveríamos comemorar esta data com alegria e felicidade. Esta data deveria ser marcada pela independização do Brasil em relação à colonizadora nação imperial lusitana, porém sabe-se que não foi um processo simples e diversos problemas se seguiram… porém, a ideia aqui é tratar do nosso civilismo pátrio.

    Sempre é tempo de exaltação, de honrar a pátria mãe, o teto imaginário de paredes fronteiriças sólidas e reconhecidas, as quais nos unem e nos identificam, lugar construído sobre os pilares étnicos e culturais dos mais diversos povos. Para um verdadeiro ufanista, necessário se faz reconhecer e ter orgulho, desde os nossos ancestrais indígenas, dos ancestrais europeus imigrantes colonizadores e dos ancestrais negros africanos, que vieram a contragosto para cá, mas que foram importantes para a construção da riqueza desta terra. 

    Todos os civistas devem ou deveriam ter este sentimento, de brio e de altivez plena à sua Pátria, de suas cores, de suas origens e de suas múltiplas características, e amplio, aconselhando que cada um, a sua maneira, deveria buscar saber de como se formou, das suas configurações, de sua História minimamente, para se envaidecer muito e contar aos seus compatriotas ou aos estrangeiros, de como ela é, das suas belezas, de suas potências e também de suas deficiências… reconhecê-las e viabilizar as múltiplas possibilidades de melhorias, para manter e ampliar a sua liberdade e independência.

    Penso que, para um verdadeiro cidadão, necessário se faz empenhar-se e colaborar para que melhore, cresça e se desenvolva sempre, mas sem perder sua essência, que afinal, aqui é um lugar onde vive um povo diversificado, feliz e hospitaleiro, talvez o único do mundo onde seu adjetivo pátrio rima com trabalho, sejamos nós tarefeiros, sendo oleiros, carpinteiros, pedreiros, ferreiros… etc.. etc.. etc.. os oficineiros brasileiros… trabalhando firmes no propósito da ordem, do progresso e do amor, honrando desde àqueles que extraíram a madeira vermelha, incandescente e carmesim, chamada de “breazail”, ou o pau de fogo em brasa, logo abrasileirado para Brasil.

https://osmunicipiosemacao.com.br/pau-brasil-muitos-ja-ouviram-a-historia-mas-nunca-viram-o-quanto-e-bonito/

    A pauta aqui é a devoção ao berço nacional e deve estar acima de qualquer prelúdio de saudação, mesura e reverência às outras nações, apesar de todo o respeito e admiração que exista, nunca, jamais deve ser sobrepujado ou desmerecido o nosso sagrado pavilhão verde-amarelo, branco e azul-anil que a todos representa. Com o sentimento nacionalista a pleno, penso que conhecer e amar o seu lugar, com todas as suas peculiaridades e particularidades, respeitando as diferenças de uma plaga larga e continental, ostentosa gleba amada de todos nós, o legítimo e estimado patriotismo! Parabéns para TODA a Nação Brasileira!

Imagem: A Bandeira do Brasil https://www.gov.br/planalto/pt-br/conheca-a-presidencia/acervo/simbolos-nacionais/bandeira/bandeiragrande.jpg

Texto de Ramão Carvalho, Professor de História e Ativista Cultural para a Coluna JORNAL NOTICIÁRIO JN - Setembro/2021 - Ed. 271 - Pág. 08 COLUNISTAS.

domingo, 21 de agosto de 2022

Não aprendemos nada?

 


Não aprendemos nada!?

             Apesar de tudo e de todos os exemplos, de uma realidade difícil e inóspita, apesar do tempo em que vivemos, caraterizado por ser um período onde há um grande volume de informações e de complexas e avançadas tecnologias. Apesar desta fase pós-pandêmica, que ceifou muitas vidas, deixando uma dura e dolorida lição, parece que não aprendemos nada com isso! Toda esta dor, toda esta comoção e estas dificuldades parecem que não serviram para nada… ou seja, a sensação é de que não aprendemos e não mudamos o suficiente, não houve evolução espiritual e intelectual com todas estas fatídicas experiências.

             A “humanidade” segue presunçosa e soberba. As pessoas seguem arrogantes, desferindo insolência, atrevimento, petulância, cinismo, desaforos, descaramentos, desplantes, impertinência e o pior: desrespeito para com seus ‘semelhantes’. Considero, com muito dissabor, diagnosticar que nosso progresso, adiantamento e aperfeiçoamento como dignos sapiens está em processo de adiamento – ou de retrocesso.

             Confesso que é muito triste relatar isso, ainda mais para quem busca acreditar nos valores e nas diversas vertentes do benevolente saber e nas divinas lições celestiais, nas lições espirituais que nos são passadas e transmitidas, de que devemos ter pensamentos e ações positivas, assim como prezar pelos ensinamentos e instruções voltados para o bem comum, para a convivência saudável e para a comunhão dos povos. Desapontado digo que os preconceitos da alma seguem muito presentes e me deixam muito chateado… por demais!

             O coração, o cordes sentimental e humanitário aperta ainda mais, quando nos deparamos com episódios e com notícias de acontecimentos chocantes, de violência descabida, de racismo desnecessário, de intolerâncias repugnantes, de preconceitos estúpidos e boçais, mas também, atentemos para os pequenos cismas, das implicâncias gratuitas que minam, desgastam e se tornam futuras inimizades, que desencadeiam futuras e verdadeiras batalhas campais entre os indivíduos, você já parou para pensar nisso?

             Quantas vezes implicamos com o nosso semelhante, por suas características, suas formas, seu jeito de ser, de estar, vestir-se ou ainda por sua posição social. Por vezes, nas coisas mais tolas, mais irrelevantes, são motivos para gerar antipatia e aversão. Estas atitudes, em minha opinião são doentias e a pessoa que sofre destas birras e antipatias, de implicar com os outros, deve ser tratada, deveria haver um diagnóstico e uma terapia para curar estas pestilências da alma.

             Mas ainda, apesar de tudo que até aqui vivemos, não valeu de nada! As pessoas seguem explorando outras pessoas, ridicularizando as outras pessoas, menosprezando, vilipendiando, desmerecendo, agredindo, violentando e até matando outras pessoas por motivação pífia e torpe. Por isso te pergunto: Será que não aprendemos nada!?


Fonte: 2022-08-17 – CARVALHO, Ramão. Não aprendemos Nada!?. Matéria da coluna Jornal Noticiário. Página 11. São Leopoldo/RS. Edição 282, agosto/2022.

quinta-feira, 12 de maio de 2022

mitos nescios e mentecaptos


Afeição aos néscios e mentecaptos

 O senso de convívio e respeito individual e coletivo estão esvaindo-se. Por que constato isso? Porque as pessoas estão pensando apenas por seu ponto de vista e por suas ideologias em detrimento a todo o saber estabelecido e isso é muito nocivo e prejudicial. Acabou aquela máxima que nos foi ensinada: “a minha liberdade acaba, quando começa a do meu semelhante”, ou seja, posso e tenho o direito de me expressar, de ter opinião, desde que não ofenda, não agrida ou não interfira no sentimento e nas convicções de outrem.

     Constato que estamos vivendo um tempo muito estranho, onde, a qualquer custo, se endeusa e se supervaloriza entes antes desconhecidos, estranhos, vazios de argumentos e de propostas e, mesmo tendo uma vida política e social nula ou ausente de compromissos com a população, simplesmente o seguem em massa, por ser talvez, aquele capaz de derrotar os seus antagonistas ou “diferentes”. Estes políticos ganham notoriedade por utilizar frases feitas, com pouca ou nenhuma proposta, com chavões sobre família, pátria e religião e, mesmo sem ideias claras, vão somando milhões de adeptos e seguidores.

     Quero muito entender como pessoas inteligentes e capacitadas conseguem idolatrar idiotas que vivem a vida toda na política e nunca, nunca sequer aprovaram um projeto de relevância em prol da população... repito: umzinho sequer! Quero muito entender o que passa na cabeça de quem venera os imbecilóides, estes que só falam asneiras e não conseguem manter uma linha de raciocínio, muito menos se manifestar de forma pacífica, educada e ordeira, sem ser ríspido, sem estar sempre na defensiva e utilizando a prática da ofensa para abandonar o debate ou afugentar quem lhe pergunta algo relevante.

     Sinceramente, busco explicações para estes miasmas, para esta síndrome de Estocolmo, para esta idolatria à pessoas que até pouco tempo eram desconhecidas, que, apesar de todos os problemas pessoais e profissionais, são eleitos os arautos da salvação do país. A pequenez e a idiotização estão em voga, é um “nivelar-se por baixo”, aprovando e achando lindo um líder se caracterizar por “dizer o que pensa”, desferindo palavrões, agindo com falta de respeito, com total falta de empatia e também compactuando com o negacionismo a qualquer preço, sobrepujando e refutando todas as regras estabelecidas, infelizmente esta é a marca característica deste nosso tempo.

     Mas onde estamos errando? O que se pode eleger como "o mais correto", ou o mais sensato? Penso muitas coisas, e ao ler as múltiplas “opiniões” estapafúrdias nas mídias sociais, chego ao extremo de me pôr a perguntar: será que estamos preparados para opinar em todos os campos do saber e do conhecimento? Até que ponto podemos mediar e criticar assuntos dos quais não possuímos a devida competência?

     Penso e logo respondo: Não! Não podemos incidir em assuntos que não dominamos ou dos quais não se tenha o devido conhecimento e distinção... Quero reforçar aqui, com todo o respeito: - quando você se deparar com pautas que não são de vossa alçada, recolha-se a vossa insignificância, e, no mínimo o que tenha a fazer é procurar saber, aprender aquela pauta ou assunto, mas só até aí. Se quiser discutir, se capacite, estude, se gabarite para ter a devida competência para tal.

     Peço desculpas ao meu amargor cáustico, mas, diante do desmonte da educação e da cultura, da cisma e da refutação que há sobre a ciência e a saúde, neste tempo louco em que as frases curtas e de (d)efeito valem muito mais que compêndios, estudos e máximas do conhecimento, onde é modal ter um apreço exacerbado aos enganosos mitos. Assim, fico por demais entristecido e descrente, vendo o nosso povo idolatrar inconsequentemente néscios e mentecaptos.

     Mas, vamos fazer a nossa parte? Vamos pensar em como ser pessoas melhores e resgatar o convívio salutar, onde, obviamente nem todos devem ter a mesma opinião, mas ter em mente que conviver respeitosamente com as nossas diferenças, considerar o conhecimento adquirido e desenvolvido, seja uma premissa, básica e indispensável de educação e de valores para um povo desenvolvido.

Fonte: 2022-05-12 – CARVALHO, Ramão. A afeição aos néscios e mentecaptos. Matéria da coluna Jornal Noticiário. Página 09. São Leopoldo/RS. Edição 279, maio/2022.

terça-feira, 19 de abril de 2022

todos os dias ou 19 de Abril?

Todos os dias ou só em 19 de Abril?

Um salve ao dia 19 de Abril. Muito o que refletir e pensar no valor que o povo brasileiro dá para uma de suas raízes ancestrais... já pararam para pensar que a maioria dos descendentes desta pátria se referem aos povos originais como sendo algo estranho à sua natureza? As nações indígenas, verdadeiros donos destas terras são nossos antepassados, formam, juntos com os imigrantes europeus e os negros da diáspora africana a nação chamada breazail/Brasil... Somos TODXS parentes!

Não é só no "dia do índio", somos descendentes dos nossos ascendentes ancestrais!

Salve nosso povo! Salve todas as Nações Indígenas do #Breazail!
🇧🇷

quinta-feira, 14 de abril de 2022

Os nossos Kilombos urbanos

Foto: registro visual de alguns dos muitos enredos que escrevi.

Os nossos Kilombos urbanos

Pela passagem do dia 11 de Abril, na comemoração do Dia da Escola de Samba, quero fazer uma homenagem a estes kilombos de resistência, em especial aos guetos de minha cidade. Estes locais de manifestação artística, que atualmente, resistem a uma opressão e uma demonização por parte da sociedade intolerante. Esta perseguição, possui muitas interpretações, mas a que mais se enquadra é a do preconceito, seguido de uma ignorância total, além da intolerância e da discriminação da cultura que é feita pelo povo, que aliás, é a maior expressão artística do Brasil e um dos símbolos culturais mais expressivos de nosso país: o carnaval.

Neste mundo carnavalesco, neste universo microcosmo da periferia, aprendi muito sobre a brasilidade e conheci o carnaval cultural na Escola de Samba Império do Sol, escola que foi a minha base para quase tudo que sei. Lá fui do apoio geral, fui coordenador e figurante de ala, saí da ala dos passistas, fui mestre sala, temista e dirigente em diversos cargos. Agremiação fundada pelo saudoso Rei Momo Beto, espaço onde fiz muitas amizades, que se fosse nominar, renderiam páginas e mais páginas. Foi para mim uma escola de samba e da vida!

Também me considero parte da Estação Primeira de São Léo, escola de samba da família da nossa saudosa Tia Dora, espaço de muitas outras amizades que por lá eu fiz, escola de samba da região central da cidade, gueto de tenacidade cultural. Sou também Acadêmicos Verde e Rosa, uma vez que lá tem muitos dos meus amigos e é a escola do coração do meu saudoso irmão Tom Astral. Lugar onde já escrevi enredo, dei oficinas de danças de mestre-sala, porta-bandeira e porta-estandarte, num projeto da Secretaria Municipal de Cultura, chamado de “Descentralização da Cultura”, que revelou destaques que estão até hoje figurando as apresentações das escolas de samba da região.

Na Imperatriz Leopoldense, que tive a honra de conduzir seu pavilhão, e que agora reformulada, com a mesma base e sede, agora chamada de Leões da Feitoria. Já desfilei na União da Vila do Saudoso passista Bira, onde o ajudamos em diversos carnavais, na coordenação, revisando enredos e organogramas. Sou também Imperadores do Sul, quando tenho por lá os meus amigos e frequentadores de minhas oficinas de danças do carnaval e que por lá abrilhantam as apresentações da escola, assim como de muitas amizades da Cohab Duque e cercanias, ponto de resistência cultural na zona sul da cidade.

Sou também Alambique Leopoldense, a considero especial por atender com carinho as pessoas do lugar onde vivi e morei e também por sua queridíssima matriarca que a todos acolhe. Inclusive fomos com a Escola de Samba Apito de Ouro da Cidade de Tapes/RS na sua fundação e no lançamento da escola, é um local onde estão muitos dos meus amigos e de gente que resiste produzindo cultura.

Nos meus enredos e pesquisas já fui muitas escolas de samba, desde a Imperadores do Samba, Imperatriz Dona Leopoldina, Embaixadores do Ritmo, Copacabana, Samba Puro e Bambas da Orgia na cidade de Porto Alegre. Já fui Unidos do Guajuviras de Canoas, Gigantes da Orla de Arroio do Sal/RS, Vila Isabel de Viamão, Unidos das Vilas de Venâncio Aires, Imperatriz da Zona Norte de Cruz Alta, Unidos do Capão e Império do Vale de Sapucaia do Sul, Apito de Ouro e Corujão de Tapes, Asas da Liberdade de Estância Velha, Cruzeiro, Protegidos e Marujos de Novo Hamburgo, entre tantas outras entidades, quilombos de resistência cultural.

Ressalto que para mim, o dia da escola de samba deva, na realidade, ser comemorados todos os dias, uma vez que estes organismos são kilombos de perseverança, nunca param, nunca desistem e estão sempre a planejar e programar o ano vindouro, com um novo enredo e pesquisas, na construção de novas fantasias, de uma nova música, que é o samba enredo, as alegorias, as coreografias, enfim, unindo e reunindo a comunidade em torno da construção de um espetáculo, mas que vai para muito além disso, prestando ajuda e assistência social, transformando muitos destes em profissionais para pensar e preparar uma nova apresentação, capacitando pessoas, gerando renda, produzindo cultura e encantando as pessoas.

_Kilombo ou quilombo é o nome dado aos espaços e comunidades que se formaram a partir de situações de resistência territorial, social e cultural no Brasil. Os primeiros quilombos surgiram no período colonial por pessoas negras escravizadas que se refugiavam em busca de liberdade e que se organizavam em comunidades autônomas.

Fonte: 2022-04-12 – CARVALHO, Ramão. Os nossos kilombos urbanos. Matéria da coluna Jornal Noticiário. Página 09. São Leopoldo/RS. Edição 278, abril/2022.

terça-feira, 29 de março de 2022

Eco dos sombrios tempos

 

Eco dos sombrios tempos...


    Hoje, quero falar de respeito, algo cada vez mais raro em nossos dias. Foi se o tempo em que os pais e as mães cobravam dos filhos, desde a infância, posturas e atitudes respeitosas. Foi se tempo das aulas e das lições de etiquetas, de boas posturas e de bons modos e costumes… infelizmente, foi se o tempo...

    As redes sociais estão aí para nos dar múltiplos exemplos da ausência de empatia, da falta de cortesia e de educação. Houve um tempo em que as pessoas prezavam pela elegância, pela compostura e por amabilidade ao próximo. Sabe-se, obviamente, que nunca foi plena a convivência amigável entre os seres “humanos”, mas buscava-se manter uma conduta reta e exemplar.

    O que se verifica hoje em dia é que a disciplina, a gentileza e a civilidade estão demodê. A convivência salutar e amistosa não são mais prezadas, e o pior; vivemos um tempo de sentimentos descontrolados, o comportamento atual se caracteriza fortemente pelo desprezo, pela injúria, pela afronta e na provocação ao próximo, denotando apreço pelas “más posturas sociais”, muitas vezes um cisma e uma implicância gratuita para com o seu congênere.
    
Ainda sobre as redes sociais, as pessoas se fazem valer de um recurso eletrônico e remoto, pois presencialmente talvez não teriam coragem de desferir esta profusão nefasta de manifestações de ódio, de desconsideração, de desaforos, desacatos e tudo mais que gira nas publicações, comentários, contendo nos posicionamentos expressões do tipo: “dane-se!”, “f*da-se!”, entre outras sandices, pairando sobre tudo os palavrões que estão na moda, por nada gritam raivosamente o “porra!”, sem contar os insultos ofensivos e de baixo calão que nem vale a pena repetir ou aqui digitar...

    As modinhas e as musiquinhas “lacradoras” nos perfis e nos aplicativos, trazem frases feitas com mensagens de pura futilidade social e de desconsideração total para com o próximo como por exemplo: “atura ou surta”, “chora mais”, “aceita que dói menos”, “se não gostou, se mata que passa”… etc, etc, etc… um festival de expressões duras e marcadas por afrontas descabidas e desnecessárias... sem comentar as futilidades musicais que estão em voga, um verdadeiro festival de baixarias.

    Estas atitudes estão aguçadas com a famigerada polarização… Esta contraposição teimosa e vazia de ideias está ultrapassada e fecha as portas do progresso, não levando a nada e a lugar nenhum! Sempre houveram divergências e dicotomias no ponto de vista político e no mundo das ideias, mas apelar para baixarias, palavras de baixo calão e destilação de ódio não nos permite avançar, muito pelo contrário. Vê-se nestes dias, cidadãos de bem e tementes a Deus, proferindo aos gritos e berros, palavras odiosas aos seus semelhantes… destas, que são repetidas e repetidas, tornando o som característico e “normalizado” eco dos sombrios tempos...

    Acredito piamente que a humanidade está perdida! E este trem chamado desrespeito está, a cada dia, mais e mais veloz, sendo alimentado pela fornalha da raiva, do ódio, da intolerância e do vazio espiritual de seres sem um sentido emocional, o que pode ser explicado pela futilidade vivida nestes nossos tempos sombrios e tristes. Acredito também que só os investimentos e os incentivos na educação e na cultura possam salvar a nossa nação e a nossa humanidade!

Fonte: 2021-12-07 – CARVALHO, Ramão. Ecos dos sombrios tempos. Matéria da coluna Jornal Noticiário. Página 08. São Leopoldo/RS. Edição 274, dezembro/2021.