quarta-feira, 24 de agosto de 2022

A Pátria amada de todos nós!

À Pátria amada de todos nós!

    Vamos dar um salve ao sete de setembro e para a celebração do dia da independência! Aos patriotas e nacionalistas de nosso país, que conservam o orgulho estupefado de nossa Nação Plural, este é o tempo de comemorar a Independência da Nação brasiliana. A data é marcada pela emancipação política da metrópole Portugal. A reflexão a ser feita, é de que devemos e deveríamos comemorar esta data com alegria e felicidade. Esta data deveria ser marcada pela independização do Brasil em relação à colonizadora nação imperial lusitana, porém sabe-se que não foi um processo simples e diversos problemas se seguiram… porém, a ideia aqui é tratar do nosso civilismo pátrio.

    Sempre é tempo de exaltação, de honrar a pátria mãe, o teto imaginário de paredes fronteiriças sólidas e reconhecidas, as quais nos unem e nos identificam, lugar construído sobre os pilares étnicos e culturais dos mais diversos povos. Para um verdadeiro ufanista, necessário se faz reconhecer e ter orgulho, desde os nossos ancestrais indígenas, dos ancestrais europeus imigrantes colonizadores e dos ancestrais negros africanos, que vieram a contragosto para cá, mas que foram importantes para a construção da riqueza desta terra. 

    Todos os civistas devem ou deveriam ter este sentimento, de brio e de altivez plena à sua Pátria, de suas cores, de suas origens e de suas múltiplas características, e amplio, aconselhando que cada um, a sua maneira, deveria buscar saber de como se formou, das suas configurações, de sua História minimamente, para se envaidecer muito e contar aos seus compatriotas ou aos estrangeiros, de como ela é, das suas belezas, de suas potências e também de suas deficiências… reconhecê-las e viabilizar as múltiplas possibilidades de melhorias, para manter e ampliar a sua liberdade e independência.

    Penso que, para um verdadeiro cidadão, necessário se faz empenhar-se e colaborar para que melhore, cresça e se desenvolva sempre, mas sem perder sua essência, que afinal, aqui é um lugar onde vive um povo diversificado, feliz e hospitaleiro, talvez o único do mundo onde seu adjetivo pátrio rima com trabalho, sejamos nós tarefeiros, sendo oleiros, carpinteiros, pedreiros, ferreiros… etc.. etc.. etc.. os oficineiros brasileiros… trabalhando firmes no propósito da ordem, do progresso e do amor, honrando desde àqueles que extraíram a madeira vermelha, incandescente e carmesim, chamada de “breazail”, ou o pau de fogo em brasa, logo abrasileirado para Brasil.

https://osmunicipiosemacao.com.br/pau-brasil-muitos-ja-ouviram-a-historia-mas-nunca-viram-o-quanto-e-bonito/

    A pauta aqui é a devoção ao berço nacional e deve estar acima de qualquer prelúdio de saudação, mesura e reverência às outras nações, apesar de todo o respeito e admiração que exista, nunca, jamais deve ser sobrepujado ou desmerecido o nosso sagrado pavilhão verde-amarelo, branco e azul-anil que a todos representa. Com o sentimento nacionalista a pleno, penso que conhecer e amar o seu lugar, com todas as suas peculiaridades e particularidades, respeitando as diferenças de uma plaga larga e continental, ostentosa gleba amada de todos nós, o legítimo e estimado patriotismo! Parabéns para TODA a Nação Brasileira!

Imagem: A Bandeira do Brasil https://www.gov.br/planalto/pt-br/conheca-a-presidencia/acervo/simbolos-nacionais/bandeira/bandeiragrande.jpg

Texto de Ramão Carvalho, Professor de História e Ativista Cultural para a Coluna JORNAL NOTICIÁRIO JN - Setembro/2021 - Ed. 271 - Pág. 08 COLUNISTAS.

domingo, 21 de agosto de 2022

Não aprendemos nada?

 


Não aprendemos nada!?

             Apesar de tudo e de todos os exemplos, de uma realidade difícil e inóspita, apesar do tempo em que vivemos, caraterizado por ser um período onde há um grande volume de informações e de complexas e avançadas tecnologias. Apesar desta fase pós-pandêmica, que ceifou muitas vidas, deixando uma dura e dolorida lição, parece que não aprendemos nada com isso! Toda esta dor, toda esta comoção e estas dificuldades parecem que não serviram para nada… ou seja, a sensação é de que não aprendemos e não mudamos o suficiente, não houve evolução espiritual e intelectual com todas estas fatídicas experiências.

             A “humanidade” segue presunçosa e soberba. As pessoas seguem arrogantes, desferindo insolência, atrevimento, petulância, cinismo, desaforos, descaramentos, desplantes, impertinência e o pior: desrespeito para com seus ‘semelhantes’. Considero, com muito dissabor, diagnosticar que nosso progresso, adiantamento e aperfeiçoamento como dignos sapiens está em processo de adiamento – ou de retrocesso.

             Confesso que é muito triste relatar isso, ainda mais para quem busca acreditar nos valores e nas diversas vertentes do benevolente saber e nas divinas lições celestiais, nas lições espirituais que nos são passadas e transmitidas, de que devemos ter pensamentos e ações positivas, assim como prezar pelos ensinamentos e instruções voltados para o bem comum, para a convivência saudável e para a comunhão dos povos. Desapontado digo que os preconceitos da alma seguem muito presentes e me deixam muito chateado… por demais!

             O coração, o cordes sentimental e humanitário aperta ainda mais, quando nos deparamos com episódios e com notícias de acontecimentos chocantes, de violência descabida, de racismo desnecessário, de intolerâncias repugnantes, de preconceitos estúpidos e boçais, mas também, atentemos para os pequenos cismas, das implicâncias gratuitas que minam, desgastam e se tornam futuras inimizades, que desencadeiam futuras e verdadeiras batalhas campais entre os indivíduos, você já parou para pensar nisso?

             Quantas vezes implicamos com o nosso semelhante, por suas características, suas formas, seu jeito de ser, de estar, vestir-se ou ainda por sua posição social. Por vezes, nas coisas mais tolas, mais irrelevantes, são motivos para gerar antipatia e aversão. Estas atitudes, em minha opinião são doentias e a pessoa que sofre destas birras e antipatias, de implicar com os outros, deve ser tratada, deveria haver um diagnóstico e uma terapia para curar estas pestilências da alma.

             Mas ainda, apesar de tudo que até aqui vivemos, não valeu de nada! As pessoas seguem explorando outras pessoas, ridicularizando as outras pessoas, menosprezando, vilipendiando, desmerecendo, agredindo, violentando e até matando outras pessoas por motivação pífia e torpe. Por isso te pergunto: Será que não aprendemos nada!?


Fonte: 2022-08-17 – CARVALHO, Ramão. Não aprendemos Nada!?. Matéria da coluna Jornal Noticiário. Página 11. São Leopoldo/RS. Edição 282, agosto/2022.

quinta-feira, 12 de maio de 2022

mitos nescios e mentecaptos


Afeição aos néscios e mentecaptos

 O senso de convívio e respeito individual e coletivo estão esvaindo-se. Por que constato isso? Porque as pessoas estão pensando apenas por seu ponto de vista e por suas ideologias em detrimento a todo o saber estabelecido e isso é muito nocivo e prejudicial. Acabou aquela máxima que nos foi ensinada: “a minha liberdade acaba, quando começa a do meu semelhante”, ou seja, posso e tenho o direito de me expressar, de ter opinião, desde que não ofenda, não agrida ou não interfira no sentimento e nas convicções de outrem.

     Constato que estamos vivendo um tempo muito estranho, onde, a qualquer custo, se endeusa e se supervaloriza entes antes desconhecidos, estranhos, vazios de argumentos e de propostas e, mesmo tendo uma vida política e social nula ou ausente de compromissos com a população, simplesmente o seguem em massa, por ser talvez, aquele capaz de derrotar os seus antagonistas ou “diferentes”. Estes políticos ganham notoriedade por utilizar frases feitas, com pouca ou nenhuma proposta, com chavões sobre família, pátria e religião e, mesmo sem ideias claras, vão somando milhões de adeptos e seguidores.

     Quero muito entender como pessoas inteligentes e capacitadas conseguem idolatrar idiotas que vivem a vida toda na política e nunca, nunca sequer aprovaram um projeto de relevância em prol da população... repito: umzinho sequer! Quero muito entender o que passa na cabeça de quem venera os imbecilóides, estes que só falam asneiras e não conseguem manter uma linha de raciocínio, muito menos se manifestar de forma pacífica, educada e ordeira, sem ser ríspido, sem estar sempre na defensiva e utilizando a prática da ofensa para abandonar o debate ou afugentar quem lhe pergunta algo relevante.

     Sinceramente, busco explicações para estes miasmas, para esta síndrome de Estocolmo, para esta idolatria à pessoas que até pouco tempo eram desconhecidas, que, apesar de todos os problemas pessoais e profissionais, são eleitos os arautos da salvação do país. A pequenez e a idiotização estão em voga, é um “nivelar-se por baixo”, aprovando e achando lindo um líder se caracterizar por “dizer o que pensa”, desferindo palavrões, agindo com falta de respeito, com total falta de empatia e também compactuando com o negacionismo a qualquer preço, sobrepujando e refutando todas as regras estabelecidas, infelizmente esta é a marca característica deste nosso tempo.

     Mas onde estamos errando? O que se pode eleger como "o mais correto", ou o mais sensato? Penso muitas coisas, e ao ler as múltiplas “opiniões” estapafúrdias nas mídias sociais, chego ao extremo de me pôr a perguntar: será que estamos preparados para opinar em todos os campos do saber e do conhecimento? Até que ponto podemos mediar e criticar assuntos dos quais não possuímos a devida competência?

     Penso e logo respondo: Não! Não podemos incidir em assuntos que não dominamos ou dos quais não se tenha o devido conhecimento e distinção... Quero reforçar aqui, com todo o respeito: - quando você se deparar com pautas que não são de vossa alçada, recolha-se a vossa insignificância, e, no mínimo o que tenha a fazer é procurar saber, aprender aquela pauta ou assunto, mas só até aí. Se quiser discutir, se capacite, estude, se gabarite para ter a devida competência para tal.

     Peço desculpas ao meu amargor cáustico, mas, diante do desmonte da educação e da cultura, da cisma e da refutação que há sobre a ciência e a saúde, neste tempo louco em que as frases curtas e de (d)efeito valem muito mais que compêndios, estudos e máximas do conhecimento, onde é modal ter um apreço exacerbado aos enganosos mitos. Assim, fico por demais entristecido e descrente, vendo o nosso povo idolatrar inconsequentemente néscios e mentecaptos.

     Mas, vamos fazer a nossa parte? Vamos pensar em como ser pessoas melhores e resgatar o convívio salutar, onde, obviamente nem todos devem ter a mesma opinião, mas ter em mente que conviver respeitosamente com as nossas diferenças, considerar o conhecimento adquirido e desenvolvido, seja uma premissa, básica e indispensável de educação e de valores para um povo desenvolvido.

Fonte: 2022-05-12 – CARVALHO, Ramão. A afeição aos néscios e mentecaptos. Matéria da coluna Jornal Noticiário. Página 09. São Leopoldo/RS. Edição 279, maio/2022.

terça-feira, 19 de abril de 2022

todos os dias ou 19 de Abril?

Todos os dias ou só em 19 de Abril?

Um salve ao dia 19 de Abril. Muito o que refletir e pensar no valor que o povo brasileiro dá para uma de suas raízes ancestrais... já pararam para pensar que a maioria dos descendentes desta pátria se referem aos povos originais como sendo algo estranho à sua natureza? As nações indígenas, verdadeiros donos destas terras são nossos antepassados, formam, juntos com os imigrantes europeus e os negros da diáspora africana a nação chamada breazail/Brasil... Somos TODXS parentes!

Não é só no "dia do índio", somos descendentes dos nossos ascendentes ancestrais!

Salve nosso povo! Salve todas as Nações Indígenas do #Breazail!
🇧🇷

quinta-feira, 14 de abril de 2022

Os nossos Kilombos urbanos

Foto: registro visual de alguns dos muitos enredos que escrevi.

Os nossos Kilombos urbanos

Pela passagem do dia 11 de Abril, na comemoração do Dia da Escola de Samba, quero fazer uma homenagem a estes kilombos de resistência, em especial aos guetos de minha cidade. Estes locais de manifestação artística, que atualmente, resistem a uma opressão e uma demonização por parte da sociedade intolerante. Esta perseguição, possui muitas interpretações, mas a que mais se enquadra é a do preconceito, seguido de uma ignorância total, além da intolerância e da discriminação da cultura que é feita pelo povo, que aliás, é a maior expressão artística do Brasil e um dos símbolos culturais mais expressivos de nosso país: o carnaval.

Neste mundo carnavalesco, neste universo microcosmo da periferia, aprendi muito sobre a brasilidade e conheci o carnaval cultural na Escola de Samba Império do Sol, escola que foi a minha base para quase tudo que sei. Lá fui do apoio geral, fui coordenador e figurante de ala, saí da ala dos passistas, fui mestre sala, temista e dirigente em diversos cargos. Agremiação fundada pelo saudoso Rei Momo Beto, espaço onde fiz muitas amizades, que se fosse nominar, renderiam páginas e mais páginas. Foi para mim uma escola de samba e da vida!

Também me considero parte da Estação Primeira de São Léo, escola de samba da família da nossa saudosa Tia Dora, espaço de muitas outras amizades que por lá eu fiz, escola de samba da região central da cidade, gueto de tenacidade cultural. Sou também Acadêmicos Verde e Rosa, uma vez que lá tem muitos dos meus amigos e é a escola do coração do meu saudoso irmão Tom Astral. Lugar onde já escrevi enredo, dei oficinas de danças de mestre-sala, porta-bandeira e porta-estandarte, num projeto da Secretaria Municipal de Cultura, chamado de “Descentralização da Cultura”, que revelou destaques que estão até hoje figurando as apresentações das escolas de samba da região.

Na Imperatriz Leopoldense, que tive a honra de conduzir seu pavilhão, e que agora reformulada, com a mesma base e sede, agora chamada de Leões da Feitoria. Já desfilei na União da Vila do Saudoso passista Bira, onde o ajudamos em diversos carnavais, na coordenação, revisando enredos e organogramas. Sou também Imperadores do Sul, quando tenho por lá os meus amigos e frequentadores de minhas oficinas de danças do carnaval e que por lá abrilhantam as apresentações da escola, assim como de muitas amizades da Cohab Duque e cercanias, ponto de resistência cultural na zona sul da cidade.

Sou também Alambique Leopoldense, a considero especial por atender com carinho as pessoas do lugar onde vivi e morei e também por sua queridíssima matriarca que a todos acolhe. Inclusive fomos com a Escola de Samba Apito de Ouro da Cidade de Tapes/RS na sua fundação e no lançamento da escola, é um local onde estão muitos dos meus amigos e de gente que resiste produzindo cultura.

Nos meus enredos e pesquisas já fui muitas escolas de samba, desde a Imperadores do Samba, Imperatriz Dona Leopoldina, Embaixadores do Ritmo, Copacabana, Samba Puro e Bambas da Orgia na cidade de Porto Alegre. Já fui Unidos do Guajuviras de Canoas, Gigantes da Orla de Arroio do Sal/RS, Vila Isabel de Viamão, Unidos das Vilas de Venâncio Aires, Imperatriz da Zona Norte de Cruz Alta, Unidos do Capão e Império do Vale de Sapucaia do Sul, Apito de Ouro e Corujão de Tapes, Asas da Liberdade de Estância Velha, Cruzeiro, Protegidos e Marujos de Novo Hamburgo, entre tantas outras entidades, quilombos de resistência cultural.

Ressalto que para mim, o dia da escola de samba deva, na realidade, ser comemorados todos os dias, uma vez que estes organismos são kilombos de perseverança, nunca param, nunca desistem e estão sempre a planejar e programar o ano vindouro, com um novo enredo e pesquisas, na construção de novas fantasias, de uma nova música, que é o samba enredo, as alegorias, as coreografias, enfim, unindo e reunindo a comunidade em torno da construção de um espetáculo, mas que vai para muito além disso, prestando ajuda e assistência social, transformando muitos destes em profissionais para pensar e preparar uma nova apresentação, capacitando pessoas, gerando renda, produzindo cultura e encantando as pessoas.

_Kilombo ou quilombo é o nome dado aos espaços e comunidades que se formaram a partir de situações de resistência territorial, social e cultural no Brasil. Os primeiros quilombos surgiram no período colonial por pessoas negras escravizadas que se refugiavam em busca de liberdade e que se organizavam em comunidades autônomas.

Fonte: 2022-04-12 – CARVALHO, Ramão. Os nossos kilombos urbanos. Matéria da coluna Jornal Noticiário. Página 09. São Leopoldo/RS. Edição 278, abril/2022.

terça-feira, 29 de março de 2022

Eco dos sombrios tempos

 

Eco dos sombrios tempos...


    Hoje, quero falar de respeito, algo cada vez mais raro em nossos dias. Foi se o tempo em que os pais e as mães cobravam dos filhos, desde a infância, posturas e atitudes respeitosas. Foi se tempo das aulas e das lições de etiquetas, de boas posturas e de bons modos e costumes… infelizmente, foi se o tempo...

    As redes sociais estão aí para nos dar múltiplos exemplos da ausência de empatia, da falta de cortesia e de educação. Houve um tempo em que as pessoas prezavam pela elegância, pela compostura e por amabilidade ao próximo. Sabe-se, obviamente, que nunca foi plena a convivência amigável entre os seres “humanos”, mas buscava-se manter uma conduta reta e exemplar.

    O que se verifica hoje em dia é que a disciplina, a gentileza e a civilidade estão demodê. A convivência salutar e amistosa não são mais prezadas, e o pior; vivemos um tempo de sentimentos descontrolados, o comportamento atual se caracteriza fortemente pelo desprezo, pela injúria, pela afronta e na provocação ao próximo, denotando apreço pelas “más posturas sociais”, muitas vezes um cisma e uma implicância gratuita para com o seu congênere.
    
Ainda sobre as redes sociais, as pessoas se fazem valer de um recurso eletrônico e remoto, pois presencialmente talvez não teriam coragem de desferir esta profusão nefasta de manifestações de ódio, de desconsideração, de desaforos, desacatos e tudo mais que gira nas publicações, comentários, contendo nos posicionamentos expressões do tipo: “dane-se!”, “f*da-se!”, entre outras sandices, pairando sobre tudo os palavrões que estão na moda, por nada gritam raivosamente o “porra!”, sem contar os insultos ofensivos e de baixo calão que nem vale a pena repetir ou aqui digitar...

    As modinhas e as musiquinhas “lacradoras” nos perfis e nos aplicativos, trazem frases feitas com mensagens de pura futilidade social e de desconsideração total para com o próximo como por exemplo: “atura ou surta”, “chora mais”, “aceita que dói menos”, “se não gostou, se mata que passa”… etc, etc, etc… um festival de expressões duras e marcadas por afrontas descabidas e desnecessárias... sem comentar as futilidades musicais que estão em voga, um verdadeiro festival de baixarias.

    Estas atitudes estão aguçadas com a famigerada polarização… Esta contraposição teimosa e vazia de ideias está ultrapassada e fecha as portas do progresso, não levando a nada e a lugar nenhum! Sempre houveram divergências e dicotomias no ponto de vista político e no mundo das ideias, mas apelar para baixarias, palavras de baixo calão e destilação de ódio não nos permite avançar, muito pelo contrário. Vê-se nestes dias, cidadãos de bem e tementes a Deus, proferindo aos gritos e berros, palavras odiosas aos seus semelhantes… destas, que são repetidas e repetidas, tornando o som característico e “normalizado” eco dos sombrios tempos...

    Acredito piamente que a humanidade está perdida! E este trem chamado desrespeito está, a cada dia, mais e mais veloz, sendo alimentado pela fornalha da raiva, do ódio, da intolerância e do vazio espiritual de seres sem um sentido emocional, o que pode ser explicado pela futilidade vivida nestes nossos tempos sombrios e tristes. Acredito também que só os investimentos e os incentivos na educação e na cultura possam salvar a nossa nação e a nossa humanidade!

Fonte: 2021-12-07 – CARVALHO, Ramão. Ecos dos sombrios tempos. Matéria da coluna Jornal Noticiário. Página 08. São Leopoldo/RS. Edição 274, dezembro/2021.

quinta-feira, 24 de março de 2022

A alegria social do carnaval

A ALEGRIA SOCIAL DO CARNAVAL

Por Ramão Carvalho [1]

 

    Carnaval é tempo de alegria, uma data festiva que existe há milênios, conforme os autores Hiram Araújo, 2003 e Felipe Ferreira, 2005, entre tantos outros autores e trabalhos memoráveis, com obras magníficas para quem quer se aprofundar em um tema tão vasto e rico. O carnaval existe em todo o planeta, porém o do Brasil é o mais expressivo, tendo diversas características, desde os blocos brincantes até o espetáculo das escolas de samba. O samba e o carnaval são símbolos culturais do Brasil e para quem é genuinamente patriota, entender o carnaval, conhecer e reconhecer que esta ópera a céu aberto é como um patrimônio cultural é um ato de brasilidade. No carnaval há música, poesia, danças, artes plásticas e muita informação técnica, verdadeiras aulas populares e públicas, que são manifestadas com grande entusiasmo e devoção pelas comunidades e pelo povo carnavalesco.



    Quando pensamos em carnaval e em escolas de samba, de pronto, imaginamos os desfiles, apoteóticcos de Rio de Janeiro e de São Paulo, principalmente aqueles que são transmitidos pela grande mídia televisiva, porém, muito além dos desfiles, as escolas de samba possuem um grande quadro de pessoas e de intenso trabalho profissional. Com a finalidade de levar alegria e entretenimento para quem assiste aos seus desfiles, as pessoas são fundamentais para a realização destes espetáculos, considerados as maiores expressões culturais do mundo, como diz Aroldo Costa, 2007: “uma verdadeira ópera a céu aberto”, manifestação cultural reconhecida pelo Guines Book, o livro de registro de recordes.

 

    Para iniciar o ano carnavalesco, geralmente ao término dos desfiles, iniciam-se as atividades para definir o ano vindouro, daí surgem todas as atividades de reciclagem dos materiais utilizados (esta atividade cresce, devido aos parcos investimentos em cultura), a definição do enredo, a pesquisa literária e histórica que será a base para o samba, para a música, para os figurinos, ou o desenho das fantasias e das alegorias e de toda a caracterização do contingente que desfila em uma escola ou bloco carnavalesco.

 

Até aí, esta é a uma das atividades macro e que ocupa uma série considerável de profissionais e voluntários em sua execução. Para formar esta mão-de-obra muito específica, as escolas que tem sua comunidade engajada e comprometida, formam estes artistas na sua base, pois não há curso específico para profissionais do carnaval, é o caso do aprendizado dos cantores e intérpretes, dos músicos e percussionistas, dos bailarinos e dançarinos, dos aderecistas, figurinistas, e assim por diante, onde recebem ensinamentos e orientações para a finalidade de se manifestar artisticamente nos grandes espetáculos.

 

    O caso da Sociedade Cultural, Beneficente e Carnavalesca Império do Sol, que desenvolve oficinas de formação e capacitação em praticamente todas as atividades relacionadas ao carnaval. Esta Escola de Samba, localizada na cidade de São Leopoldo/RS, recebe em sua sede, denominada de quadra de ensaios, pessoas de toda a região metropolitana para socializar a alegria do carnaval, mas também capacita e desenvolve artistas para o carnaval, não só para suas apresentações, como para outras co-irmãs da região.


    As “oficinas de formação” são das mais diversas, como de bateria (percussão), decoração de alegorias e adereços, corte e costura, reciclagem de materiais, danças do carnaval, atividades relacionadas à administração, marketing, etc... a escola também recebe alunos para estágio não remunerado e também serviços e trabalhos voluntários. Vale ressaltar que para participar da escola de samba, não precisa saber sambar, isso é uma lenda! Aqui todos tem sua parcela de importância, assim como os que sambam, tem os que tocam, cantam, administram, enfim, um espaço social amplamente democrático.

 

Fontes:

ARAÚJO, Hiram. Carnaval: seis milênios de história. Rio de Janeiro: Gryphus, 2003.

FERREIRA, Felipe. O livro de ouro do carnaval brasileiro. Rio de Janeiro: Ediouro, 2005

COSTA, Haroldo. Politica e religiões no carnaval. Irmãos Vitale, 2007.



[1] Licenciado em história (Unisinos) e mestrado pelo Programa de Pós-Graduação em Desenvolvimento Regional (PPGDR) das Faculdades Integradas de Taquara (FACCAT).

CARVALHO, Ramão. Alegria social do carnaval. Matéria da contra-capa do Jornal Noticiário. São Leopoldo/RS. Edição 255, março/2020.




segunda-feira, 21 de março de 2022

Preconceito, racismo e intolerância

Preconceito, racismo e intolerância 

O preconceito, o racismo e a intolerância são três problemas psicossociais crônicos que precisamos tratar e curar! As raias destes distúrbios estão nas motivações hediondas de menosprezar, desvalorizar e no desdém dos “diferentes”, ou ainda daquele que “incomoda” a natureza do que ataca. Estas manifestações preconceituosas, racistas e intolerantes, que geralmente passam a injuriar, perseguir, desmoralizar e violentar a todos aqueles que não correspondem com os padrões idealizados do discriminador. Atitudes e comportamentos desonrosos que estão sendo a cada dia mais, visualizados pela grande mídia.

O preconceito, como revela o termo, é o sentimento pré conceituado, sem reflexão ou conhecimento, dotado de ignorância e hostilidade, que é assumido em consequência da generalização apressada do desconhecido, seja pela pequena experiência pessoal ou imposta pelo meio. Esta ação de juízo possui diversas origens e que talvez, tenha na misoginia, o primeiro dos preconceitos, seguidos do preconceito de classe, do econômico, de posição social, na cor de pele, na formação étnica, etc, etc…

O historiador Leandro Karnal nos conta que, quando indagado por uma inglesa, sobre o problema de cruzamento de raças no Brasil, ele respondeu a ela que formação da Inglaterra e do povo inglês também se originou de cruzamentos de celtas, bretões, romanos, anglo-saxões, vikings, normandos, ou seja, também se trata de um povo miscigenado, assim como a maioria das nações europeias, onde é equivocada a noção de pureza de raças. O mesmo Leandro Karnal foi brilhante em identificar que o preconceito contra gays (LGBTQIA+), onde nos diz que: "[…] do ponto de vista psicanalítico, todo ataque homofóbico é sempre o choque entre dois gays, o que vive a sua sexualidade e o que tem vergonha e medo da sua sexualidade, que é aquele que ataca []".

O racismo é dos problemas citados, o mais nocivo, o mais severo, o mais danoso, um sentimento inexplicável, onde a exclusão, a desigualdade social e a violência, desencadeiam atitudes bizarras e inconcebíveis. Não há argumentação, explicação ou fundamento para estas condutas! O professor Kabenguele Munanga, que luta contra o racismo nos diz que: “[…] todos os racismos são abomináveis e cada um faz as suas vítimas do seu modo. O brasileiro não é o pior, nem o melhor, mas ele tem as suas peculiaridades [...]”. O professor Sílvio de Almeida (2019) caracteriza o racismo no Brasil como sendo estrutural, pois criou um sistema para segregar e manter negros e negras na exclusão, na subalternidade e longe do poder. Abdias do Nascimento e diversos intelectuais discorrem da dificuldade de reinserção na sociedade desde o 1888, onde ações racistas, segregadoras e discriminatórias, desde as práticas mais simples presentes naquelas expressões non gratas, até a violência e a morte, revelando sentimentos cristalizados e reproduzidos por gerações nas ações e nas atitudes tóxicas dos racistas.

A intolerância é outra ação avassaladora dos sentidos, pois é e foi construída e constituída há muitos e muitos anos, por processos de reprodução do ódio, onde os indivíduos, dotados de sua “supremacia”, declaram ser e ter a suas características, cultura, nação e religião, as melhores que existem, as mais “evoluídas”, a natureza linguista a mais rica, a sua religião como a única e a legítima representante de Deus, enquanto que as demais são inúteis, hereges, pagãs, atrasadas… assim a intolerância e o preconceito seguem a pleno, sendo repetidas de geração em geração, amplificando o menosprezo xenófobo e intolerante.

Pode-se afirmar que no Brasil, ser preconceituoso, intolerante e racista é um atestado de burrice! Afirmo isso porque no país mais miscigenado do mundo, não há nenhuma pureza racial, não há autenticidade, puridade ou purismo de cor, de credo, de linguagem, de estilos, de expressão e de cultura. Não somos 100% nada! Precisamos tratar esta doença da alma, para mitigar e curar este mal psicológico e comportamental, o qual não possui nenhuma explicação plausível para a sua existência.

Compreendo que o preconceito a intolerância e o racismo seguem juntos sua caminhada nociva e mortal. Sabedores destes defeitos psíquicos, devemos criar dispositivos para livrar-se destes miasmas e, livres destas imbecilidades que nos dividem, que violenta a existência dos semelhantes, atos que não agregam valor, que atrapalham o desenvolvimento social e cultural, assim, livres destas tolices inexplicáveis, vamos progredir imensamente. Sejamos conscientes de que somos uma nação colorida em todos os sentidos e que viveremos em um país mais justo, mais igualitário e mais evoluído quando houver esta compreensão.

Ramão Carvalho.

CARVALHO, Ramão. Preconceito, racismo e intolerância. Matéria da coluna Jornal Noticiário. Página 14. São Leopoldo/RS. Edição 272, outubro/2021.

sábado, 12 de março de 2022

A brasilidade sob uma banda

 

🌿 A brasilidade sob uma banda! 🇧🇷
Falar de brasilidade e das peculiaridades do povo brasileiro é um desafio complexo devido à dificuldade de dar conta do todo. Desde Gilberto Freyre, Darcy Ribeiro, Florestan Fernandes, Sérgio Buarque de Holanda e outros tantos intelectuais, que buscaram interpretar o Brasil brasileiro e compreender as configurações da identidade nacional. As composições formativas do nosso povo são as mais complexas possíveis, e me arrisco a dizer que somos o povo mais miscigenado do mundo! Explico: somos fruto de uma mistura de gentes de diversas partes do planeta e a nossa ancestralidade está calcada no hibridismo da mistura de raças, onde todos os brasileiros são mestiços.
Para muito antes da colonização, período histórico, conhecido erroneamente como “descobrimento”, e antes da chegada dos portugueses em 1500, viviam aqui milhares de nações indígenas, com suas línguas, crenças e culturas, numa estimativa de que mais de 2.500.000 indígenas habitavam estas terras no século XVI, que dizimados, chegaram em 1998, num total de 302.000 indivíduos. Depois vieram os portugueses, com sua língua, crença, cultura e a belicosidade da dominação a qualquer custo. Com as tentativas frustrantes de subjugar os indígenas ao trabalho escravo, foram em diversos locais da África para “trazer” os negros, que vieram para cá a contragosto, trazendo suas línguas, crenças e culturas. Todos estes encontros e choques étnicos, confrontando-se e combinando-se as línguas, as crenças e as culturas muito diferentes, o que gestou as características do nosso povo.
Nestes encontros culturais, o que se sabe é que os ancestrais indígenas já praticavam diversos ritos de curas, possuindo o conhecimento das propriedades das plantas, dos vegetais, das folhas, das raízes e das ervas, no uso do fumo e da defumação para afastar espíritos maléficos e também as enfermidades. Sabe-se que os ancestrais africanos, quando trazidos à força para o Brasil, durante quase todo o período da colonização portuguesa, trouxeram na memória, seus costumes e crenças voltados para as forças primordiais da natureza, manifestados nos inkices, voduns e orixás, inaugurando com as matrizes da raça brasileira, a miscigenação de povos e o convívio das crenças e das culturas.
Sabe-se que os escravizados indígenas ou africanos, eram catequizados ou convertidos ao catolicismo cristão. Os africanos, por exemplo, eram “batizados” com nome católico e deveriam dar a volta na árvore do esquecimento e deixar sua família, a sua cultura e seus dogmas, onde eram proibidos por seus senhores ‘brancos-católicos’ de executar seus rituais religiosos. Assim, porém, os astutos africanos sabiamente, num ato de resistência, associaram as semelhanças físicas e equivalências das características dos sagrados deuses negros com os santos católicos.
Este movimento associativo de santos e deuses de diversas origens, inaugurou o sincretismo brasileiro e deu as bases para a ‘materialização’ de uma religião genuinamente brasileira que, mais tarde se chamou de Umbanda (todos sob uma só banda), que agregou também o espiritismo kardecista, os santos cristãos e católicos, os caboclos miscigenados, as nações indígenas, os imigrantes, os orientais, os ciganos, os pretos velhos africanos e a energia dos Orixás. Assim nascia uma religião amálgama, legítima e verdadeiramente nacional, agregando em seus ritos e altares uma mescla de diversas divindades, das mais variadas características, dos mais diferentes povos, numa pluralidade ímpar e representativa, ou seja, sendo uma demonstração de uma brasilidade tolerante e fraterna, sob uma só banda!

Fontes
IBGE - INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. Brasil: 500 anos de povoamento. Rio de Janeiro, 2000. https://brasil500anos.ibge.gov.br/.../os-numeros-da...
RIBEIRO, Darcy. O povo brasileiro: a formação e o sentido do Brasil. Global Editora Ltda, 2015.

CARVALHO, Ramão. A brasilidade sob uma banda. Matéria da coluna Jornal Noticiário. Página 14. São Leopoldo/RS. Edição 275, janeiro/2022.

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2022

O multiculturalismo que dá tempero ao Brasil brasileiro.

 


Quadro "Operários" de Tarsila do Amaral. 1933
Fonte: https://www.culturagenial.com/quadro-operarios-de-tarsila-do-amaral/ 

O tempero de um Brasil brasileiro

    O multiculturalismo é a convivência de diferentes culturas em um mesmo local ou ambiente. Este fenômeno define muito o nosso país, devido aos mais diversos grupos étnicos e culturais que formaram e formataram as características do Brasil. Estas culturas estão interligadas entre si, querendo ou não, rejeitando ou não, há muitos indícios e podemos constatar este sortimento, esta pluralidade no nosso dia a dia. Esta multiplicidade de culturas são heranças de nossos ancestrais indígenas, europeus e africanos num primeiro momento, depois, houve uma profusão de imigrantes que para cá vieram, trazendo suas
experiências, culturas, costumes e saberes.

    Ao passear pelo vasto Brasil, termo que significa ‘da cor da brasa’, local onde há o hábito de se banhar com frequência, costume ancestral tupi, guarani... indígena, o banho que era de rio, no Caay, Ijuí, Jacuí ou no Itapuí (o nome original do Rio dos Sinos), hoje impróprio para esta prática, devido a severa poluição da vida urbana. Banhando-se nas águas salobras e salgadas de Tramandaí, Imbé, Camboriú, Guaropaba, Guarujá, Copacabana, Ipanema, seja por toda a Guanabara, de Piratininga, Caju, Niterói até a Tijuca, de Itabapoana até Paraty, por toda a extensão do Estado do Rio de Janeiro, por exemplo, ou aindado chavão; do Oiapoque ao Chuí, percebemos em todos eles, vocábulos indígenas.

    Poderíamos também, ir pelos caminhos dos Quilombos, à Gamboa, Mangueira, Palmares, ao Pelourinho, o Cais do Valongo, são porém, topônimos escassos, mais escassos ainda se tratando do Estado do Rio Grande do Sul, onde o nome de ruas, rios e lugares, possui 99% derivados de culturas indígenas e lusitanas, relegando a raríssimas evidências aos nomes de localizações ligados aos antepassados e à cultura africana. Há de se ressaltar que os nomes de lugares identificando a herança portuguesa e europeia é massiva, o que denota a supremacia e o domínio desta cultura sobre as demais.
Ao seguir nosso passeio pelo Brasil multicultural, vamos nos deparar com cheiros e sabores das mais variadas e diversas iguarias, como a pipoca, o guaraná, a moqueca, a paçoca, a mandioca (para alguns o aipim), o chocolate, o milho, o mingau, o churrasco, o chimarrão e tantas outras, tipicamente indígenas. Na culinária africana, o vatapá, o acarajé, o cuscuz, o amalá, o abará, a canjica, a feijoada, o mungunzá e tantas outras. Nos sabores europeus vieram o quindim, a cuca, o chucrute, a salsicha, os queijos, as massas... etc, etc, etc.

    Na música popular brasileira – MPB – há o samba, a bossa-nova, o axé, o maracatu, o sertanejo (indivíduo miscigenado, segundo Darcy Ribeiro, conhecido como caipira, um outro termo indígena), os ritmos caboclos do frevo, o forró, o baião, o xote o xaxado, o maxixe, o lundu, etc, etc. As vestimentas também possuem influências culturais, desde a “pouca roupa” até aos suntuosos trajes, passando pelo abadá, o torço, o turbante, a kafka, etc. Ao ir à praia, veste-se os termos de maioria africanos, como o bikini, a tanga, a sunga a canga.

    Yeda Pessoa de Castro nos conta da influência das línguas africanas no português brasileiro, em que os termos estão completamente integrados ao sistema linguístico do país, onde muitas das palavras chegam a substituir, como é o caso de giba por corcunda, bilha por moringa, trapilho por molambo, insultar por xingar, dormitar por cochilar, óleo de palma por dendê, nádegas por bunda, vespa por marimbondo, sinete por carimbo, etc. Também merece destaque a palavra caçula, por ser conhecida e usada por todos os brasileiros para dizer “filho mais jovem”, que antes da vinda dos africanos, o termo utilizado até então era benjamin e só era empregado para o filho menino mais moço, não havendo tal termo utilizado para as meninas. Acrescentam-se os termos “o dengo do/a caçula mimado/a”.

    Notem que nossa resumida viagem pelos vocábulos e expressões estão calcados na multiculturalidade e notem também que ela nos constitui, e todos nós, brasílicos miscigenados fazemos parte deste “todo cultural”, pois somos frutos de misturas, da complexa e infindável combinação de culturas, gestando este que é meu, este é teu e este que é nosso, tempero verde, amarelo e azul de um Brasil brasileiro.

Fontes mencionadas

CASTRO, Yeda Pessoa de. A influência das línguas africanas no português brasileiro. Secretaria Municipal de Educação- Prefeitura da Cidade de Salvador, p. 3-12, 2005.

RIBEIRO, Darcy. O Povo Brasileiro: a formação e o sentido do Brasil. São Paulo: Cia das Letras, 2006.

CARVALHO, Ramão. O tempero de um Brasil brasileiro. Matéria da coluna Jornal Noticiário. Página 14. São Leopoldo/RS. Fevereiro/2022.